Por uma vida mais leve

* Por: Marcela Pimenta Pavan

Cada um conhece bem os problemas que tem. Relacionamentos, saúde, família, profissão. Mais cedo ou mais tarde as dificuldades surgem na vida de qualquer ser humano e nos vemos diante dos desafios buscando uma solução.

A cada vez que conseguimos lidar melhor com uma situação difícil, amadurecemos e crescemos emocionalmente. À medida que vivenciamos as experiências, precisamos desenvolver a coragem, a paciência e a compreensão de que as coisas são passageiras e que o importante é buscar viver da melhor forma possível.

Dentro desse pensamento, viver bem significa muitas vezes conseguir sair do papel de refém dos acontecimentos e transformá-los. Não é tarefa fácil, mas no dia a dia utilizamos, muitas vezes sem perceber, alguns recursos emocionais que facilitam o enfrentamento dos desafios e a sua superação.

O humor como recurso

Todas as situações possuem vários aspectos. Uma vez enquanto estava atendendo uma mãe, que tem um filho autista, ela me disse sobre o constrangimento social que o filho a fazia sentir. Ele se comporta diferente dos meninos da sua idade, é agitado, não brinca com os colegas, fala pouco. Repentinamente a mãe lembrou-se de um fato, começou a rir e disse “muitas vezes ele faz aquilo que eu gostaria de fazer e não posso, no fundo eu acho engraçado ver meu filho mandando as visitas embora lá de casa quando anoitece e ele quer dormir”.

Reconhecer que a situação tem outros lados, além do constrangimento, amplia a compreensão do momento e torna a história mais leve. O bom humor é um ótimo aliado. Não que a dificuldade social que a mãe tem com o filho não seja legítima, mas não é o único lado da história. Rir ajuda a olhar o problema de perto e vê-lo sob outro aspecto, diminuindo o peso e observando a situação de forma mais justa.

Os “Doutores da alegria” são um ótimo exemplo de como o bom humor pode ajudar nas situações difíceis. A missão do projeto é promover a experiência da alegria como fator potencializador de relações saudáveis por meio da atuação profissional de palhaços junto a crianças hospitalizadas, seus pais e profissionais de saúde.

Além das questões psicológicas, existem as questões fisiológicas. Quando nos divertimos, há uma maior liberação da serotonina no nosso organismo, responsável pela sensação de prazer. O estresse diminui e a imunidade aumenta. Ficamos também fisiologicamente mais preparados para lidar com o problema.

Como trazer mais bom humor para a sua vida

Você sabe o que te faz rir de verdade? E o principal, você consegue rir dos próprios defeitos ou de situações difíceis?

A ideia não é rir daquilo que não tem graça. Isso não adianta. A autenticidade precisa existir. Mas, para uma pessoa ter bom humor ela precisa antes reconhecer os defeitos de si mesmo, ou das situações que vive, e percebê-los de uma outra maneira. Isso, por si só, já é positivo do ponto de vista psicológico.

Conseguir rir e relaxar pode ser exercitado em nossa vida. Escolher estar perto de pessoas divertidas no dia a dia, buscar assistir filmes de comédia ou peças de teatro que tragam alegria. Conviver com crianças. Essas pequenas atitudes trazem contentamento ao cotidiano e consequentemente mais leveza e equilíbrio para enfrentar os desafios inevitáveis da vida.

*Marcela Pimenta Pavan, psicóloga clínica, CRP 05/41841. e-mail:marcelapimentapavan@gmail.com
 
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Tenho tantos altos e baixos, será que sou bipolar?

*Por: Viviane Lajter Segal

Tenho ouvido muito recentemente frases do tipo “meu chefe é bipolar, porque eu nunca sei como ele vai falar comigo” ou “eu tenho muitos altos e baixos, acho que sou bipolar”. Esse termo se tornou praticamente um jargão para exemplificar ou justificar as variações de humor que uma pessoa possa ter cotidianamente.

A vida é repleta de momentos, detalhes, situações, que acontecem a todo instante. Somos bombardeados de informações, novidades e relações interpessoais que afetam o nosso humor. Em determinados momentos estamos alegres, frente a alguma situação afetiva e momentos depois, podemos estar tristes devido a uma notícia que tenha nos impactado, por exemplo.

Apesar do termo “bipolar” ser utilizado corriqueiramente hoje em dia, é importante esclarecer que se trata de uma doença séria, de difícil diagnóstico e que pode comprometer a vida do doente e de seus familiares se não devidamente tratada. Por isso, é importante diferenciá-la dessas utilizações populares.

Afinal, o que significa ser bipolar?

O transtorno de humor bipolar (THB) é uma patologia que possui diversos graus e subtipos. De uma forma geral significa uma oscilação entre pólos opostos do humor que são episódios depressivos e maníacos. Porém, tal variação nem sempre é fácil de ser observada e nem diagnosticada. Há pessoas que se mantém por períodos prolongados em um único estado, geralmente, o depressivo, apresentando esporádicos episódios maníacos nesse intervalo.

Na fase maníaca, ou de euforia, a pessoa apresenta um otimismo exagerado. Suas reações são exacerbadas e acredita que pode realizar qualquer coisa. Não há argumentação lógica que o detenha. Apresenta uma alegria demasiada, eufórica, fala alto, rápido e, geralmente, não aceita interrupções. Possui uma convicção absoluta de que é capaz de resolver ou realizar tudo. Nessa fase a pessoa age impulsivamente. É comum que se envolvam em compras, jogos e bebidas de forma compulsiva e desmedida. Assim, perda de bens e patrimônios torna-se um risco real.

Já na fase depressiva ocorre o inverso. O paciente apresenta um pessimismo exagerado, uma má notícia pode ser responsável por deixá-lo de cama durante dias. Perde-se a vontade de realizar as atividades corriqueiras, como higiene pessoal, trabalho e há um isolamento social. Há uma falta de motivação e interesse naquelas atividades que antes geravam prazer para a pessoa. Insônia ou a interrupção do sono no meio da noite é comum.

 A família no tratamento

Lidar com uma pessoa com THB na família não é tarefa fácil. O primeiro impasse que os familiares têm é de entender que se trata realmente de uma doença e não que a pessoa está querendo chamar a atenção.

O tratamento do THB é longo e deve ser multidisciplinar, composto por um médico psiquiatra com a utilização de medicamentos específicos e um psicólogo clínico que vai ajudá-lo nos ganhos a longo prazo do tratamento.

A inclusão da família no tratamento deve ser considerada por ambos os profissionais. O relacionamento conjugal e parental podem ser afetados pelas inconstâncias do familiar com THB, podendo culminar em divórcios e rompimentos importantes. Além do risco real de endividamento e de falência.

A família deve buscar ajuda, receber informações sobre a doença e acompanhar a evolução do tratamento, para que, assim, possa suportar emocionalmente a situação e ajudar o familiar com o transtorno.

Aprendendo a conviver

Com a escolha de uma equipe profissional competente e que promova confiança tanto para o paciente, quanto para os familiares, o sucesso do tratamento do THB é possível!

Através da ação medicamentosa e do trabalho psicoterápico, a pessoa pode aprender a lidar melhor com a situação, se perceber mais e conhecer mais profundamente as suas próprias dificuldades. Se for possível incluir os familiares nessa dinâmica, o resultado do trabalho torna-se ainda mais promissor.

 As pessoas com THB podem ter uma vida mais agradável e manter as relações afetivas que sejam importantes para ela.

* Viviane Lajter Segal, psicóloga clínica, CRP 05/41087. Contatos: viviane@lajter.net  e cel. 9271-1519

FOTO: Flickr por Bohari Adventures
 

 

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É Carnaval! A importância da brincadeira e da fantasia.

* Por: Marcela Pimenta Pavan

Vivemos preocupados com o trabalho, com as contas, com os filhos, com a segurança, com a saúde… Na maior parte do ano estamos correndo atrás de alguma coisa e o nosso lado racional é valorizado por nos auxiliar com a clareza e objetividade necessária aos desafios cotidianos.

Mas existem alguns períodos em que a situação se inverte e o Carnaval é a representação mais clara desse momento. A racionalidade fica em segundo plano e o princípio do prazer conduz grande parte das pessoas. A brincadeira, a vontade, a sensualidade e a alegria tomam conta do país e muitos se rendem a magia dessa época.

Do ponto de vista psicológico esse é o momento do ID, que segundo Freud é uma instância psicológica que todos nós possuímos, regido pelos impulsos do prazer, guiado pela satisfação dos desejos e não por suas conseqüências.

A psicologia Junguiana utiliza-se, entre outros recursos,  dos mitos para entender a psique humana. O mito grego do deus Dionísio é o que se assemelha ao espírito do carnaval. Dionísio era filho do grande Zeus e de sua amante Semele. Foi perseguido por Hera, esposa de Zeus, e atingido por sua loucura. Possui o lado divino dos deuses, mas também o lado irracional e selvagem. É o deus do vinho, das festas, do êxtase, configura a imagem do impulso, da satisfação. Assim contrapõe-se a tudo que é cauteloso e conservador.

 Fantasias

A fantasia traz a possibilidade de projetarmos externamente conteúdos internos que permeiam nossa imaginação. Através das cores e dos personagens brincamos de forma mais livre com esses conteúdos. O momento do carnaval é propício para isso, é quando a brincadeira e a criatividade são permitidas e estimuladas pela maioria.

Com a individualidade protegida das críticas e julgamentos, a fantasia nos liberta e nos permite interagir de forma livre e despreocupada. As diferenças e preconceitos são minimizados e, por isso, o Carnaval é chamado de uma festa democrática. É um momento que todos aproveitam e interagem independente da cor, do país ou da classe social.

Melindrosas, prisioneiros, chapolins, baianas, abadás e tudo que a imaginação quiser pode virar realidade por alguns dias e nos levar pelo clima “dionísico” do carnaval.

E isso não é um pouco perigoso?

É importante que os excessos sejam evitados. Perder totalmente o controle traz consequências, talvez não agradáveis. Mas do ponto de vista psíquico o carnaval tem uma função positiva e nos ajuda a vivenciar outros aspectos psicológicos.

Segundo a abordagem junguiana nós possuímos vários pólos opostos dentro de nós: amor/ódio, vida/morte, confiança/traição, puerilidade/sabedoria, profano/sagrado, entre outros. Apesar de opostos, um lado precisa do outro para existir. A totalidade do ser só é possível quando reconhecemos esses lados (principalmente os não adequados) e trabalhamos para uma integração saudável entre eles. Tentar eliminar um pólo em detrimento de outro não é benéfico e nos distancia da realização e do bem-estar.

O Carnaval pode ser muito proveitoso, é o momento de relaxarmos e vivenciarmos um lado nosso que não permitimos na maior parte do ano, de se divertir com o inadequado, extravasar a alegria e retornar mais leves para a realidade.

“Mas é Carnaval, não me diga mais quem é você
Amanhã tudo volta ao normal
Deixa a festa acabar
Deixa o barco correr
Deixa o dia raiar
Que hoje eu sou da maneira
Que você me quer
O que você pedir, eu lhe dou
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser”

*Marcela Pimenta Pavan, psicóloga clínica, CRP 05/41841. 
e-mail:marcelapimentapavan@gmail.com
 
Compositor: Chico Buarque
Referência: Revista Psiquê. O carnaval e a importância dos ritos.
Foto: Uol entretenimento / carnaval.uol.com.br
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Como a opinião dos outros pode afetar a sua vida?

* Por: Viviane Lajter Segal

Quem nunca mudou de decisão baseado na opinião de outra pessoa? Quantas vezes não nos questionamos sobre qual seria a visão de alguém a respeito de um dilema que estejamos passando? De que forma a crítica do outro pode se tornar uma dádiva ou uma armadilha em nossas vidas?

Vivemos em sociedade e em grupo, dessa forma, somos observados e julgados o tempo todo por aqueles que estão a nossa volta. Figuras como pais, filhos, cônjuges, amigos e mestres, geralmente são os que apresentam maior influência emocional sobre nós.

Os sonhos, os planos para o futuro, os desejos e os projetos a curto e longo prazos fazem parte da vida. Porém, muitas vezes ao conversar sobre isso com alguém podemos nos ver desestimulados ou desacreditados.

Dependência emocional

A baixa autoestima e desconfiança sobre nosso próprio potencial pode nos paralisar ou limitar a busca por nossos ideais. Com a autoconfiança prejudicada, estamos mais propensos a criar uma relação de dependência com o outro que se torna, sem que percebamos, um guia ditando verdades absolutas para nós.

É difícil romper com as “profecias” que aqueles em quem confiamos pregam a respeito das nossas vidas. Agir em desacordo com elas e assumir os riscos requer coragem. Isso gera ansiedade, medo do fracasso e do arrependimento.

Porém, se não seguirmos em frente podemos sofrer uma frustração intensa ao percebermos que nos deixamos envolver pela opinião alheia e, dessa forma, desistimos de buscar os nossos sonhos.

Um bom conselho

É importante que tenhamos uma rede de pessoas em quem possamos confiar. Contar nossas histórias, compartilhar os anseios e pensar melhor sobre os assuntos. Isso nos acolhe, minimiza a sensação de solidão frente a um desafio e amplia a nossa visão sobre as escolhas que precisamos tomar.

Aconselhamentos e orientações também são bem vindos, uma vez que nos conforta e diminui um pouco o peso que uma decisão pode ter, além de permitir que esta seja realizada com maior segurança.

Devemos ouvir a opinião do outro, mas é preciso ter senso crítico para perceber se ela é realmente válida para nossa realidade e desejos.

“Confie em si mesmo!”

Viver é um desafio! Cada momento e cada fase são repletas de possibilidades, escolhas e transformações. Cabe a cada um de nós olharmos para dentro de si e perguntar o que queremos conquistar? Se as minhas atitudes e escolhas são honestas ou se estou tentando agradar alguém?

Para isso, tenha coragem e siga em frente! Busque escrever a sua história independente daquilo que os outros digam ou pensam sobre você.  Confie no seu potencial e nos seus desejos. Siga-os!

Gostaria de deixar uma reflexão sobre o assunto através do trecho da música Mais Uma Vez da Legião Urbana:

“Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar no sonho que se tem ou que seus planos nunca vão dar certo ou que você nunca vai ser alguém… Mas, eu sei que um dia a gente aprende se você quiser alguém em quem confiar. Confie em si mesmo!

* Viviane Lajter Segal é psicóloga clínica, CRP 05/41087. E-mail: viviane@lajter.net

 

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Você sabe escolher?

* Por: Marcela Pimenta Pavan

O mundo em que vivemos pede cada vez mais autonomia de nós. Antigamente era comum ter que seguir um padrão mais rigidamente esperado pela sociedade. Existiam modelos certos de como agir e se portar. Hoje em dia já é diferente, são inúmeras as possibilidades e perspectivas de futuro. Podemos escolher diversas profissões, morar fora do país, casar ou não, ter filhos ou não, entre outras.

Ainda existem os modelos certos e ideais, aqueles mais reconhecidos e valorizados pela sociedade, mas atualmente, sem dúvida, temos muito mais liberdade de escolha.

A questão hoje não é somente a conquista pelo espaço e o direito de liberdade e sim como decidir pelo que é melhor para si, como administrar as diferentes possibilidades e decidir pela escolha adequada.

Liberdade

No passado a liberdade era tolhida e o questionamento não era estimulado na maior parte da população, bastava seguir o que era esperado, o modelo para ser aceito. À medida que ganhamos independência e mais acesso a informação, ganhamos também liberdade e possibilidades de escolhas pessoais e, com isso, a necessidade de aprender a lidar com essa condição. Significa desenvolver a capacidade de refletir, ponderar, comparar e escolher.

Saber escolher pode parecer fácil, mas não é. São muitos os aspectos envolvidos. O que é melhor para mim? O que é melhor para o meio em que vivo? É possível chegar a um meio termo? Tenho coragem suficiente para escolher e seguir por minha conta e risco?

Tomar para si a responsabilidade pelas próprias escolhas sem colocar as justificativas em fatores externos, como o destino, a família, o companheiro e tantos outros, é uma tarefa corajosa.

O filósofo francês Jean-Paul Sartre desenvolveu, no século passado, a idéia da Má-fé , que é a tendência do ser humano de colocar a responsabilidade pela própria vida em fatores externos evitando assim a angústia. De certa forma atribuir nossas escolhas a outros fatores nos liberta do desconforto, é aparentemente mais fácil colocar a possibilidade de fracasso em uma justificativa externa, mas também uma forma equivocada, pois nos distancia dos nossos projetos pessoais, direcionando a vida, muitas vezes, para um lugar distante daquilo que realmente desejamos.

Autonomia

Há uma citação do Psicólogo Carl Gustav Jung que diz “Só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos.” Para sermos quem realmente somos, e sermos mais realizados e felizes, é necessário tomar a responsabilidade da própria vida para si mesmo, amadurecendo e deixando de ser refém do acaso ou de situações aparentemente condicionantes.

Claro que a opinião e ajuda daqueles que amamos e respeitamos é benéfica e fatores externos nos influenciam mas a escolha final sempre é nossa, pessoal e intransferível.

Ter consciência disso é ter autonomia, tomar as rédeas da própria vida e direcioná-la para onde se quer com vontade, coragem e o constante desejo de descobrir a si mesmo.

*Marcela Pimenta Pavan. Psicóloga clínica. CRP 05/41841. 
e-mail:marcelapimentapavan@gmail.com

 

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O estresse no ambiente de trabalho

                                                                                                                 * Por: Viviane Lajter Segal

O dia a dia está muito estressante e a vida profissional é um dos maiores responsáveis por isso. A pressa para tomar decisões, a cobrança da chefia para produzir e atingir metas, o excesso de carga horária, instalações desconfortáveis, viagens frequentes, problemas de relacionamento com colegas ou com a chefia, alta competitividade e necessidade de realizar cada vez mais cursos para se diferenciar no mercado. Esses são alguns dos fatores diários que podem contribuir para o desgaste emocional e físico.

O alto nível de estresse laboral pode acarretar importantes consequências psicológicas no trabalhador. Baixa na autoestima profissional unida a uma sensação de inadequação e de desqualificação e, dessa forma, menor energia para trabalhar. O aumento da ansiedade também é provável podendo desencadear, em casos mais sérios, quadros de pânico e fobias.

Quando o estresse se torna Burnout

Algumas pessoas podem desenvolver, ao longo do tempo e sem perceber, a síndrome de Burnout. Trata-se de um tipo de estresse ocupacional crônico que acomete, principalmente, profissionais que lidam diretamente no cuidado e relação emocional com seus clientes ou pacientes.

Pesquisas mostram que os profissionais mais acometidos por este transtorno são professores, enfermeiros, médicos e psicólogos. No Brasil é sinônimo da Síndrome do Esgotamento Profissional.

A diferenciação entre o estresse e a síndrome é sutil e, às vezes, difícil de ser realizada. Quando esse estresse profissional torna-se crônico, passa a gerar problemas na vida pessoal e profissional da pessoa e está associado a alterações psíquicas e comportamentais, enquanto que o estresse do dia a dia está mais relacionado a alterações físicas e passageiras.

Para a caracterização desse transtorno a pessoa deve apresentar três sintomas principais que são a exaustão emocional, que é um esgotamento que gera falta de interesse e força para realizar as tarefas; despersonalização, ou seja, momento em que o profissional passa a tratar as pessoas a sua volta (no ambiente laboral) de forma hostil, indiferente, ausente de afetos, como se fossem objetos; e diminuição da realização pessoal no trabalho, caracterizada por uma baixa na autoestima e insatisfação com seus resultados. A depressão costuma estar associada a esse quadro.

Possibilidades de diminuir o estresse

Reconhecendo a competitividade e a pressa do mundo atual, há uma corrente, dentro de muitas empresas, que tenta promover momentos de relaxamento ao seu funcionário no local de trabalho. Aulas de exercício, alongamentos, massagem. São várias as opções que podem ser utilizadas a auxiliar na diminuição da tensão física e emocional do dia a dia.

Buscar outras atividades, fora do ambiente laboral, também pode ser um grande aliado para o extravasamento do estresse. Dessa forma, a pessoa poderá chegar em casa mais relaxado para aproveitar, mesmo que por pouco tempo, o convívio familiar e os momentos de prazer da vida.

Estar sempre atento as suas próprias atitudes e emoções é um exercício interessante, pois promove um autoconhecimento que permitirá que você seja a primeira pessoa a perceber que algo está fora do seu equilíbrio e que é momento de dar uma pausa.

Trabalhar é uma parte importante na vida de todos. Promove sentimentos de satisfação e realização. Dá autonomia e liberdade, além da recompensa financeira que também é importante para uma vida mais tranquila.

É importante buscar um equilíbrio em todos os aspectos da vida, inclusive a profissional. É preciso saber qual o limite que cada um possui para a dedicação laboral sem permitir que isso prejudique sua saúde física e psíquica.

 FOTO: Morguefile – PhotoXpress

* Viviane Lajter Segal, CRP 05/41087, Psicóloga clínica. E-mail: viviane@lajter.net

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Excesso de expectativas: Como lidar?

* Por: Marcela Pimenta Pavan

“Viver é afinar o instrumento, de dentro pra fora, de fora pra dentro…”

Essa citação é de uma canção do compositor Walter Franco e ilustra com sabedoria o equilíbrio necessário entre o mundo interno e o externo.

No dia a dia atribulado estamos na maioria das vezes “olhando para fora”, preocupados em atender as expectativas externas, seja no trabalho, nas amizades, nas conquistas amorosas.

A cobrança vem de todos os lugares, nas matérias que dão a todo tempo dicas de como ser melhor e mais adequado, na insatisfação generalizada dos filhos, esposa, marido, chefe, colegas… Mas, a pior cobrança é a interna, constantemente presente junto com o sentimento de inadequação. Algo que frequentemente vem lembrar que talvez não sejamos bons suficientes naquilo que precisamos ser, como se não fossemos capazes de dar conta do recado em diversas áreas da vida.

Onde isso pode levar?

Perguntar-se, de tempos em tempos, se poderia estar fazendo melhor o que já faz é altamente produtivo e benéfico para melhorarmos como seres humanos.

Mas, quando a cobrança interna é excessiva suas conseqüências podem ser bastante danosas, levando a demasiadas preocupações. Ao invés da auto exigência trazer aceitação e reconhecimento para o indivíduo, o que ele encontra normalmente é grande ansiedade, esgotamento e frustração, prejudicando a confiança em si mesmo e a sua autoestima.

Por isso é importante perceber que colocar atenção e energia somente nas expectativas externas torna a pessoa vulnerável, a mercê da reação de terceiros, o que depende mais dos outros do que do próprio indivíduo. É necessário equilibrar esses dois aspectos adequadamente. Através da reflexão sobre o assunto é possível encontrar formas de dar vazão também às expectativas internas, fortalecendo-se interiormente para lidar com as exigências do mundo externo.

Como encontrar o equilíbrio?

O primeiro ponto é sair do automático. Antes de ser tomado pelas cobranças, é hora de parar e avaliar sinceramente qual o propósito das exigências que começam a surgir. O quanto daquilo é realmente seu e o quanto é do outro?

Conversar com o seu terapeuta ou um amigo de confiança pode ajudar bastante a tornar os pensamentos mais claros e conseguir fazer essa distinção.

 À medida que isso vai sendo identificado fica mais fácil direcionar energia também para as necessidades internas. Não tenha medo de decepcionar, vá com cautela atendendo também aquilo que te faz bem, olhando com respeito e coragem para quem você realmente é e para os seus desejos. Busque um meio coerente de realizá-los.

Quando damos espaço para o nosso mundo interno, somos mais autênticos e automaticamente atraímos quem gosta de nós como realmente somos. Isso gera autoconfiança, melhora a nossa auto estima e ajuda a ter uma vida mais leve, com mais bem estar.

*Marcela Pimenta Pavan, psicóloga clínica, CRP 05/41841. 
e-mail:marcelapimentapavan@gmail.com
 
 
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