A Interpretação dos Sonhos

* Por: Viviane Lajter Segal

O sonho geralmente é um tema que mistura curiosidade, fascínio, receio e mistério. Todos nós sonhamos, porém é muito comum não nos lembrarmos deles, ou apenas de partes isoladas. Há manhãs em que acordamos assustados com um sonho, ou desconfiados. Há também aqueles que são agradáveis, bons de serem sonhados e que nos geram sensações agradáveis ao acordar. Diversas vezes são temas de livros, filmes e peças teatrais. Mas, como um sonho pode gerar tantos sentimentos diferentes? Como eles são formados? O que eles querem dizer? Inúmeras são as dúvidas sobre o assunto.

Quem nunca se perguntou se o sonho é uma premonição, um aviso místico, de que algo vai acontecer? Ou tentou sonhar com algo que quer que aconteça? Ou nunca consultou um manual para entender os significados dos sonhos?

É importante sinalizar que Sigmund Freud, por volta de 1900, foi a primeira pessoa a considerar os sonhos como algo que não estivesse relacionado à magia ou como um fenômeno sem importância. Após isso, algumas outras teorias vêm surgindo, porém me basearei nesses estudos freudianos para falar um pouco sobre o tema.

Se eu sonho em me jogar de um precipício, significa que quero morrer?

O psiquismo humano possui uma parte chamada de inconsciente. Trata-se de uma instância que não é acessível a nossa consciência e, portanto, é desconhecida por nós. É um componente da psique que possui desejos e funcionamento próprios. Poucas são as formas que temos de conseguir obter informações dele. Uma delas é através dos sonhos.

O sonho é uma realização de um desejo inconsciente de quem sonha. Porém, vocês podem estar se perguntando: então se eu sonho em me jogar de um precipício, significa que quero morrer? A resposta é não!

Os conteúdos inconscientes funcionam com uma lógica diferente daquela que conhecemos. Além disso, esse material pode gerar angústia para a consciência e, portanto, devem ser camuflados e desfigurados para que seja possível acessá-lo. Assim, os sonhos transformam esses desejos inconscientes em conteúdos desconexos, estranhos, impossíveis e, na maioria das vezes, sem sentido quando acordamos. Logo, as características presentes em um sonho não devem ser levadas ao pé da letra, mas, ser entendidas simbolicamente.

Esse é um dos motivos porque os sonhos ou determinados elementos deles, aparentemente sem relevância, são capazes de gerar sentimentos fortes no sonhador, como raiva, tristeza e vários outros. Quando acordamos não entendemos como aquela cena descomprometida gerou tanta angústia. Trata-se de uma forma do inconsciente liberar um material que foi reprimido pela nossa censura e tais conteúdos são carregados de sentimentos e afetividade.

Dessa forma, cada sonho pertence ao seu sonhador. As relações possíveis de interpretação serão diferentes de pessoa para pessoa, mesmo que vários indivíduos sonhem, aparentemente, com o mesmo conteúdo.

Os sonhos dependem da história de vida de cada um, assim como dos seus desejos. Com isso, torna-se difícil estabelecer manuais ou regras gerais de interpretação.

Então, como é possível interpretar um sonho?

Ao longo da análise o paciente é convidado a entrar em contato consigo e, aos poucos, com conteúdos inconscientes, a partir do intermédio do analista. O sonho é um material importante para esse processo. Quando um paciente leva um sonho para suas sessões, existe uma possibilidade que esse conteúdo seja interpretado, pois será neste espaço terapêutico que o material inconsciente poderá ser identificado e trabalhado.

A tarefa de interpretar um sonho é complexa, mas reveladora. É através do entendimento gerado pelo processo da interpretação que o sonhador poderá compreender melhor suas questões mais particulares e, assim, adquirir maior autonomia sobre si.

Interpretação ou sentido do sonho?

A expressão “interpretação dos sonhos” nos remete a uma coisa única, completa, definitiva. O mais indicado talvez fosse utilizar a “busca pelo sentido dos sonhos”, pois é isso que podemos buscar: apenas um sentido. Ou seja, não há uma verdade absoluta e nem tampouco um fechamento a respeito de um sonho. O sentido deve ser dado pelo sonhador e pode, com o passar do tempo e através de um maior autoconhecimento, se modificar.

Os sonhos são sem dúvida um mistério, mas são produções do nosso psiquismo e nada tem a ver com magia ou esoterismo.

*Por Viviane Lajter Segal, psicóloga clínica CRP 05/41087.  Contatos: viviane@lajter.net e pelo site A Caminho da Mudança. Atendimento em Copacabana e Barra da Tijuca/ RJ.

 

Written by Viviane Lajter Segal all rights reserved.

Uma resposta para A Interpretação dos Sonhos

  1. Samara Cristina dos Santos Costa disse:

    esse seu texto é uma ótima explicação, agradeço por tê-lo escrito pois agora entendo mais sobre essa coisa de interpretação pessoal sobre seu sonho.

    sou uma garota louca por psicologia que tem 13 anos ❤

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