Divórcio na pandemia? E agora?

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*Por: Viviane Lajter Segal

Desde pequenos somos influenciados pelos contos de fadas e nos acostumamos a ouvir a famosa frase “e foram felizes para sempre” no final de todas as histórias. Esse imaginário infantil da princesa que conhece o príncipe e que tudo dá certo no final permeia a fantasia até hoje de grande parte dos adultos. A decisão de se casar e de compartilhar uma vida com outra pessoa é repleta de expectativas e de projetos em relação ao futuro. Mas, será que é sempre assim que acontece? E quando o casal está confinado em casa como temos vivido durante a pandemia? Como será que  essa relação se apresenta?

A rotina na pandemia

Ao longo do tempo é natural que o casal entre em uma rotina e que aquela paixão e euforia iniciais se tornem mais silenciosas. Além disso, com o passar dos anos as pessoas tendem a se modificar, o que pode gerar um descompasso entre os cônjuges. Isso costuma assustar os casais e gerar um afastamento emocional e físico. Antes da pandemia do Coronavírus, era possível observar casais que conviviam e conversavam muito pouco. 

Tenho observado na minha clínica como o confinamento, provocado pela pandemia, tem afetado a forma de se relacionar dos casais. O convívio mais intenso, muitas vezes, expõe os problemas, inseguranças e discordâncias que antes eram mascarados pela rotina corrida fora de casa. Porém, com o confinamento esse funcionamento precisou se modificar, o que forçou o casal a se olhar de forma diferente e consequentemente a questionar os seus sentimentos e o relacionamento como um todo. O que antes era possível de ser evitado, agora se impõe na relação. Dessa forma, as brigas, discordâncias e discussões tendem a aumentar.

Quando um casal passa a se desentender com frequência, muito pode ser feito para tentar renovar o casamento, mesmo durante o confinamento. O desafio é tentar reconectar-se com o seu parceiro (a) lembrando o que os uniu no passado e de que forma isso pode ser colocado em prática hoje. Procurar uma ajuda psicológica individual ou para o casal muitas vezes se torna necessário ao longo desse processo, pois ajuda na comunicação, muitas vezes desgastada pelas brigas, assim como na compreensão do que se deseja para o futuro. Perceber se ainda há um desejo de permanecer e reconstruir a relação, ou se a separação é necessária para que cada um possa reescrever suas histórias. A tomada de decisão se torna mais sólida e segura.

A tomada de decisão

Há situações em que, mesmo após várias tentativas, o casal não consegue mais se entender. Tomar a decisão de se divorciar requer coragem para enfrentar os problemas de frente e assumir que aquela escolha feita anteriormente não deu certo. É admitir para si, e para o mundo, que sim, nesse sentido, os seus planos fracassaram.  É se conhecer bem o suficiente para perceber que o seu relacionamento não está mais satisfatório e se permitir escrever outra história a partir dali. Toda mudança requer coragem e força interior para acontecer.

O luto

Quando o casal decide se divorciar, não é somente a relação que acaba, mas também todos os projetos criados para o futuro se rompem. É preciso aprender a lidar com um turbilhão de sentimentos que surgem. Variam entre frustração, perda, tristeza, medo, vergonha e insegurança.

Inicia-se, então, um processo de luto. A morte dos ideais e expectativas construídos para a vida. Morte de um sonho, de uma história que terminou, morte dos planos fantasiados, dos projetos futuros.

A sensação de medo e de insegurança são muito frequentes, pois o divorciado se vê em uma incerteza enorme perante a vida. Readaptação do cotidiano, voltar a estar sozinho e ser independente, ter autonomia, retomar um convívio social, lidar com as incertezas se conseguirá reconstruir uma nova relação, medo de se arrepender da decisão tomada.

Às vezes vemos situações em que o medo de um futuro incerto gera uma ansiedade tão forte no divorciado que este prefere se reconciliar com o ex-companheiro. Porém, tal comportamento costuma ser muito prejudicial para o casal, uma vez que esse retorno foi movido por uma insegurança e não pelo desejo de reestabelecer a relação. Consequentemente, após algum tempo os problemas conjugais retornarão gerando ainda mais desgaste e sofrimento para ambas as partes.

E agora? A reestruturação

Certa vez ouvi de um paciente que o divórcio “é uma montanha russa de sentimentos”. Por isso, é importante se respeitar e respeitar o seu tempo. É se permitir vivenciar o luto, parar e refletir sobre o que deu errado e como pretende seguir a vida para reconstruir a sua história. Evitar ter pressa para iniciar outro relacionamento.

A vida é construída baseada em acertos e erros! Quando acertamos nos sentimos plenos e seguros para seguir adiante. Quando erramos temos que nos levantar, aprender com aquilo que deu errado e seguir em frente. Na vida afetiva e nos relacionamentos não pode ser diferente!  Temos que tentar nos aprofundar cada vez mais em nós mesmos, para percebermos o que queremos e para onde queremos guiar a nossa trajetória. A ajuda de um psicólogo é muito importante no auxílio para que esse processo de superação e de mudança possa ocorrer de forma mais plena e segura.

Não tenha medo de julgamentos e nem sinta vergonha por tentar mudar! A vida é sua, então, que seja vivida da maneira que você julgar ser melhor para traçar a sua história.

Seja feliz!

* Por: Viviane Lajter Segal, psicóloga clínica, especialista em terapia de família e casal, psicanalista. CRP 05/41087.

Atendimentos: Copacabana/RJ e online A Caminho da Mudança.

Contato: viviane@lajter.net

Escrito por Viviane Lajter Segal. Todos os direitos reservados.

4 respostas para Divórcio na pandemia? E agora?

  1. carla valeria disse:

    excelente texto.

  2. Tania disse:

    Passei por isso faz um ano, e ainda não consegui me superar, mas eu acredito em mim, quem sabe um dia !!

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