Não conseguimos engravidar! E agora?

gravidez stock photo

* Por: Viviane Lajter Segal

Casar e ter filhos faz parte do sonho de muitas pessoas. A formação da família tem se transformado muito nas últimas décadas. Com a correria do dia a dia e a pressão pela obtenção de uma independência financeira e pessoal, as pessoas têm saído cada vez mais tarde da casa dos pais. Com isso, os casais tem se formado mais tardiamente e consequentemente a decisão de ter filhos é postergada.

Esse novo padrão familiar tem aumentado a busca por clínicas de fertilização, uma vez que os casos de infertilidade estão mais frequentes e os tratamentos mais eficazes. Porém, são caros, longos, dolorosos para a mulher e geralmente necessitam de diversas tentativas para que se consiga o êxito. Processo que pode durar meses ou até mesmo anos, gerando grande expectativa e angústia para o casal.

Queremos um filho                

Quando um casal decide ter filhos, um passo importante é dado em suas vidas. Costuma ser um momento repleto de sentimentos que veem à tona. Um misto de expectativas, sonhos, planos, mas também de ansiedades, medos e inseguranças.

Mas, e quando esses planos não saem exatamente como o esperado? Ou quando essa gravidez demora muito para acontecer? Como fica a relação do casal mediante uma dificuldade como essas?

É cada vez mais frequente conhecermos um casal que esteja passando ou que já tenha passado por alguma dificuldade para engravidar. E é nesse momento que geralmente as brigas, mal entendidos e distanciamentos se iniciam. Divórcios e separações são frequentes nessas situações. Por isso, é importante ficarmos atentos aos sintomas individuais, mas também aos conjugais que costumam surgir ao longo das tentativas.

As questões individuais

Estudos mostram que são inúmeros os sentimentos envolvidos nesse processo e que envolvem a individualidade dos parceiros, mas também o casal como um todo. Nos indivíduos os sintomas mais comuns são a insônia, ansiedade, agitação, tristeza e raiva.

O medo e a frustração de lidar com a possibilidade de não ter um filho biológico são intensos e, em algumas pessoas, podem gerar crises de ansiedade generalizada ou um quadro depressivo.

A fobia social também é um transtorno observado com certa frequência, pois situações cotidianas como o convívio com pessoas com filhos ou mesmo com aqueles que questionam e pressionam o casal com frequência, podem se tornar muito desagradáveis ou mesmo insuportáveis.

As questões conjugais

Quando o casal descobre que possui alguma dificuldade para engravidar é natural que se busque informações sobre os reais motivos. Surge uma necessidade de saber qual é o problema e quem é o responsável por ele. Em diversos casos é comum que se dê início a um processo de culpa e humilhação sobre àquele que possui o diagnóstico desfavorável à reprodução.

Os sintomas mais comuns entre o casal são brigas constantes, irritação exacerbada em relação ao outro, culpa e distanciamento entre eles.  Os cônjuges tendem a se afastar e a evitar conversar com o parceiro sobre seus medos e, com isso, o diálogo se torna difícil, confuso ou até mesmo inexistente. 

Mas, o que fazer?

A expectativa de uma gravidez é enorme e pode gerar um turbilhão de emoções. É um momento delicado para o casal e que deve ser observado de perto e com cuidado.

Apesar de muitas pessoas se fecharem em situações de estresse como essa, o diálogo ainda é a melhor solução para os problemas relacionais. Se isolar não vai ajudar a resolver e nem a minimizar toda essa angústia que se sente com a incerteza do futuro.

É de extrema importância que o casal se permita expor ao outro seus medos, angústias, inseguranças e dúvidas em relação aos procedimentos, mas principalmente em relação ao casal e ao seu futuro. Provavelmente as questões são semelhantes entre os cônjuges, mas que, por medo de magoar o outro ou de se expor, acreditam que o melhor é se calar.

Outro ponto fundamental é perceber que culpar o outro pelo problema só resultará em mais brigas e ressentimentos. Deve-se compreender que o desejo de ter filhos é do casal e que, consequentemente, as dificuldades relacionadas a ele também são do casal e não exclusivas de uma pessoa. Esse entendimento permitirá que haja uma união de forças para superar os desafios que surgem ao longo da trajetória.

A terapia de casal pode ser um aliado importante nesse processo. Uma vez que, promove um espaço para que eles possam voltar a olhar um para o outro e resgatar o afeto e o sentimento que os fizeram desejar ter um filho e constituir uma família juntos.  

Foto: Stock Photo

* Viviane Lajter Segal, psicóloga clínica individual, de casal e família, CRP 05/41087. Consultório na Barra da Tijuca e em Copacabana, RJ. Contatos: viviane@lajter.net e 21 92711519.

 

Written by Viviane Lajter Segal all rights reserved.

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