Emoções, quem está no controle?

emoções

* Por: Marcela Pimenta Pavan

“O homem gosta de acreditar-se senhor da sua alma. Mas enquanto for incapaz de controlar os seus humores e emoções, ou de tornar-se consciente das inúmeras maneiras secretas pelas quais os fatores inconscientes se insinuam nos seus projetos e decisões, certamente não é seu próprio dono.” Carl Gustav Jung

É interessante perceber como buscamos controlar nossas emoções para que elas nos obedeçam e não nos denuncie. Afinal muitas vezes não queremos demonstrar que estamos com raiva, medo ou até muito alegre! Aquela imagem de pessoa segura e resolvida, frente às adversidades da vida, se torna um modelo perfeito.

Acontece que esse modelo é frequentemente desafiado pela vida. No dia a dia passamos por várias situações que nos provocam raivas e alegrias e estamos o tempo todo comunicando ao outro o que estamos sentindo, mesmo sem querer. Podemos falar as palavras mais convenientes para o momento, mas a nossa reação emocional estará presente através do tom da voz, do sorriso ou do olhar.

Isso vale principalmente para as emoções intensas e, nesse caso, o esforço para controlá-las pode ser ainda maior. Especialmente naquelas situações onde acreditamos que seremos julgados, como no ambiente de trabalho, por exemplo. Gastamos uma grande energia tentando contê-la. A verdade é que quanto mais intensa a emoção mais ela se fará presente. As emoções não pedem licença e seguem uma lógica bem diferente da razão, a qual estamos acostumados.

Porque tentamos manter o controle?

Todos temos vulnerabilidades, mas ninguém quer mostrar as suas, é claro! Queremos parecer seguros e isso faz sentido. No mundo competitivo atual é preciso saber se proteger e é fato que uma pessoa muito exaltada tumultua o ambiente e se torna muitas vezes desagradável.

Por isso, é importante pensarmos em saídas criativas para amenizar a situação. Quando estamos irritados é bom, se possível, nos afastarmos da situação que provoca a emoção intensa, pois essa atitude nos ajuda a pensar melhor e seguir adiante. A questão é que poucas vezes olhamos depois para o que aconteceu e refletimos sobre isso, o mais comum é buscarmos nos livrar daquela emoção inconveniente o mais rápido possível e responsabilizar outras pessoas ou situações externas pelo ocorrido.

A Psicologia que considera o inconsciente diz que evitamos acessar alguns conteúdos, pois eles geram muita angústia. O nosso ego age nos protegendo, por isso resistimos tanto a olhar sinceramente para nós mesmos e acessar tais emoções. Porém, essa atitude que nos protege muitas vezes também nos atrapalha. Evitar por muito tempo essa reflexão consigo mesmo só acumula a intensidade das questões mal resolvidas, nossa tolerância às adversidades diminui e nos distanciamos tanto de nós mesmos, que muitas vezes descontamos essa intensidade contida em pessoas ou situações que não estão relacionadas ao motivo que provocou a emoção.

Como se conhecer melhor?

O autoconhecimento é o caminho para nos entendermos melhor e termos mais autonomia emocional. Se passamos por uma emoção intensa convém parar e fazer uma reflexão franca sobre si, pois na maior parte das vezes ela fala mais de nós do que do outro. O que esta emoção está tentando me dizer? Porque estou tão sensível a um fato aparentemente comum? Quando conseguimos identificar o motivo da reação emocional temos a oportunidade de compreender melhor o que aconteceu e fazer diferente em uma próxima vez.

A ideia não é buscar se somos culpados, pois isso só desvia atenção do foco principal que é de nos aproximarmos de nós mesmos. Ás vezes uma auto reflexão franca já alivia e nos fortalece para seguirmos adiante. Muitas vezes precisamos de um apoio profissional e a psicoterapia pode ser de grande ajuda nesse processo. O importante é estarmos atentos e ouvirmos nossas emoções. Elas nos revelam, mas também nos ajudam a amadurecer e a viver melhor.

Marcela Pimenta Pavan é Psicóloga Clínica. Orientação Junguiana. Especialista em Família e Casal pela PUC-Rio. Trabalha com questões ligadas a relacionamentos, conflitos pessoais, ansiedade, depressão, carreira, envelhecimento, entre outras. Atendimento online: www.acaminhodamudanca.com.br. Consultório: Largo do Machado – R.J. Atendimento domiciliar. Contato: marcelapimentapavan@gmail.com 
 Escrito por Marcela Pimenta Pavan todos os direitos reservados.
 
 

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