A violência urbana e a sua influência em nossas vidas

                                                                                                           * Por: Viviane Lajter Segal

Temos vivido uma época em que a violência urbana está muito intensa e a sensação de insegurança nos acompanha quase que constantemente. Basta lermos os jornais para nos depararmos com situações impactantes e, por vezes, chocantes.

Essa sensação de insegurança e medo pode gerar diversos impactos emocionais, principalmente, naqueles que sofrem diretamente algum tipo de violência.

Transtorno de Estresse Pós-Traumático

O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) é uma patologia que geralmente acomete as pessoas que passaram por situações traumáticas. É de extrema importância ser abordado em discussões, uma vez que é pouco difundido pela mídia e na maioria das vezes é visto como uma reação normal ao trauma vivido, mas que pode comprometer seriamente a vida do traumatizado.

O TEPT ocorre após uma pessoa ser exposta ou testemunha de um estresse traumático
extremo, que varia entre um acidente grave, estupro, catástrofes naturais – e nesse ponto é impossível não se lembrar das últimas ocorridas ao longo de todo o mundo (chuvas e destruição pelo Brasil, tsunamis no Japão, furacão nos EUA…) – guerras, assaltos, sequestro, atentados terroristas. Enfim, são situações que colocam em risco a sua própria integridade física ou a de outra pessoa.

Como ocorre na maioria dos transtornos, é relevante diferenciar entre o que é um medo
natural e o que se torna realmente patológico e necessita de tratamento e cuidados profissionais. Para isso, é preciso observar os sintomas e sua duração afim de que o diagnóstico seja feito corretamente.

No caso do TEPT a pessoa traumatizada torna-se muito desconfiada, assustada, com medo excessivo e há uma dificuldade de concentração, comportamentos que são incompatíveis com a situação real. Está sempre em alerta e, com isso, há um gasto de energia para se defender de qualquer coisa que lhe pareça ameaçadora. Revive os eventos traumáticos constantemente, que podem ser mediante pesadelos intensos ou mesmo ao longo do dia e realiza uma força muito grande para evitar se lembrar do trauma. Pode desenvolver depressão, ansiedade e pânico.

Para ser diagnosticado com TEPT é preciso que o indivíduo apresente os sintomas correspondentes em até 6 meses após o trauma ter ocorrido.  A duração mínima dessa sintomatologia deve ser de 1 mês. Além disso, devem afetar de forma significativa a vida social, profissional e familiar do traumatizado.

Trata-se de um aspecto importante do diagnóstico, pois o impacto psicológico após o
trauma é comum. Porém, se tiver uma duração inferior a 1 mês deve ser considerado passageiro e, portanto, não caracteriza o transtorno em si.

O Tratamento

O principal tratamento para o TEPT é a psicoterapia, que permite que a pessoa possa falar, sem receio, do ocorrido, de forma a desconstruir as fantasias e os medos criados mediante os eventos traumáticos, assim como, a promoção de formas de relaxamento visando minimizar a tensão e a ansiedade extrema. O tratamento medicamentoso pode ser útil, dependendo do caso e da gravidade dos sintomas.

A conscientização e aproximação da rede de apoio do traumatizado é de extrema importância. Os amigos, familiares e outros envolvidos com a pessoa, precisam compreender melhor a situação para que, assim, possam ajudá-la a superar esse momento.

Nem todos os indivíduos que são expostos a um estresse forte irão desenvolver o TEPT, isso dependerá de diversos fatores internos de cada um. Ou seja, da estrutura psíquica que se tem, do momento em que vivia, quando isso ocorreu (se estava mais vulnerável, com alguma questão psicológica, em tratamento ou não…), da sua rede de apoio, fatores biológicos, entre outros.

* Por:  Viviane Lajter Segal, psicóloga clínica CRP 05/41087. Atendimento consultório em Copacabana/ RJ. Contato: viviane@lajter.net

Written by Viviane Lajter Segal all rights reserved.

4 respostas para A violência urbana e a sua influência em nossas vidas

  1. Ernani disse:

    Há cerca de uns 5 anos, presenciei um assalto em uma região reconhecidamente violenta aqui em Vitória-ES. Eu estava no ônibus quando vi, através da janela, o assaltante agarrando o braço da criança, que devia ter uns 6, 7 anos. O alvo era o relógio do garoto. O assaltante era quase um homem, devia ter seus 18 anos ou mais. A cena foi impactante porque o menino fez o papel de cabo de guerra entre o que parecia ser a tia, ou avó, e o bandido. Cada um puxava de um lado. O ônibus começou a se movimentar e a cena foi passando pela janela, como se fosse uma cena de tv. O ônibus já se movimentava e estava lotado, não tinha o que eu, ou outro expectador, pudesse fazer além de torcer para que algum pedestre ajudasse a por fim àquele drama. É curioso como essas imagens ainda estão na minha cabeça após tanto tempo. É impressionante como o ato de violência não atinge somente os diretamente envolvidos. A simples contemplação do evento já é por si um ato de violência. Por mais que jornais e noticiários de tv divulguem os fatos, acho que nada nos convence a encarar essas coisas com normalidade, efeitos colaterais de desigualdade sociais e conflitos naturais de espaços urbanos. A memória vívida desse evento, depois de tanto tempo, pode ser considerada um efeito pós-traumático ?

    Parabéns pelo texto. Muito bacana.

    • Olá Ernani,
      Alguns aspectos devem ser observados quando pensamos em trauma e na possibilidade de desenvolver um TEPT. Pelo o que você relatou, me parece que, a não ser pela memória vívida da cena, outras áreas da sua vida não foram afetadas. Ou seja, apesar dessa lembrança, você não relatou ter desenvolvido nenhum sintoma como aqueles citados no artigo (medo excessivo, ansiedade sem motivo aparente, desconfiança…) e nem tampouco prejudicou a sua rotina por causa disso.
      Certamente, foi um evento que lhe gerou um estress emocional muito forte e, por esse motivo, a memória do ocorrido ainda é tão vívida para você.
      Muito obrigada por compartilhar esse momento conosco,
      Viviane

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