Porque julgamos?

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* Por: Marcela Pimenta Pavan

Desde muito pequenos já classificamos as informações do mundo a nossa volta através dos dados que chegam pelos nossos sentidos e das orientações que nos são passadas. Os nossos pais, ou cuidadores, vão nos mostrando e explicando os objetos, pessoas, lugares e principalmente nos transmitindo suas impressões sobre o mundo. Junto a isso temos nossas próprias experiências e assim armazenamos informações e formamos nossas opiniões a respeito das coisas a nossa volta.

O nosso cérebro tem uma capacidade cognitiva natural de armazenar e categorizar. Isso nos ajuda a organizar as informações e a interpretar o meio, o que nos auxilia em várias situações, inclusive na nossa defesa. Quando nos encontramos em um lugar desconhecido, por exemplo, podemos rapidamente acessar os dados armazenados e julgar que um local escuro e vazio é perigoso e assim nos prevenir de alguma possível ameaça. Assim os dados armazenados em nossa memória nos auxiliam e nos preparam melhor para as situações não conhecidas que estão sempre presentes no nosso dia a dia.

Segundo o psicólogo Alex Todorov quando nos deparamos com um novo rosto, nosso cérebro decide se a pessoa é atraente e confiável em uma fração de segundo. A primeira impressão é rápida e inevitável e isso nos leva a pensar que o tempo todo estamos julgando e também sendo julgados pelos outros, o que influencia nossa maneira de enxergar as situações, as pessoas, a vida.

É ruim julgar?

As categorizações e os julgamentos podem nos ajudar em muitas situações, mas às vezes podem dificultar a convivência em sociedade. A impressão inicial é natural e é uma das formas pelas quais tentamos interpretar o mundo quando há restrição de tempo e de informação, mas manter-se fixada nela pode levar a ideias rígidas e dificultar as relações.

Muitas situações requerem flexibilidade e tolerância principalmente com o que nos é estranho, com aquilo que é diferente do que estamos acostumados. A informação ajuda muito nesse processo. Muitos julgamentos errados acontecem por falta de informação, pelo desconhecimento dos motivos que provocaram o comportamento criticado.

É claro que todos nós temos as nossas opiniões a respeito das situações e das pessoas, e é importante que isso aconteça. Porém é necessário ter cautela para não nos basearmos demais nesses julgamentos iniciais, pois eles podem limitar nossas ideias e nos tornar preconceituosos.

Como ser mais flexível?

Pode parecer fácil na teoria, mas nem sempre é. Temos as nossas impressões e à medida que vamos envelhecendo podemos ter a falsa sensação de que já sabemos o suficiente sobre a vida. É por isso que às vezes é muito difícil para os mais velhos mudarem de opinião a respeito de um assunto.

São várias as novas atitudes que podem ajudar na ampliação de uma ideia pré-determinada: Reconhecer que não se sabe tudo a respeito da vida, tentar se colocar no lugar do outro ou imaginar que aquilo poderia estar acontecendo na própria família, buscar conviver com maior proximidade da situação, procurar informações de fontes diferentes e confiáveis e, acima de tudo, ter vontade de descobrir novos pontos de vistas e formas de ver a vida, independentemente da idade.

Em um mundo com tanta informação é natural que encontremos a todo o momento algo novo que pode nos desafiar, mas também nos enriquecer. Uma vida mais flexível nos torna mais leve e tolerante frente às novas e velhas ideias. Nos faz continuar crescendo e caminhando na direção de uma vida melhor

 
Marcela Pimenta Pavan é Psicóloga Clínica. Orientação Junguiana. Especialista em Família e Casal pela PUC-Rio. Trabalha com questões ligadas a relacionamentos, conflitos pessoais, ansiedade, depressão, carreira, envelhecimento, entre outras. Atendimento online: www.acaminhodamudanca.com.br. Consultório: Largo do Machado – R.J. Atendimento domiciliar. Contato: marcelapimentapavan@gmail.com 
Referência: Continuar ou Desistir? Por Rom Brafman e Ori Brafman. Revista Mente e Cerébro. Edição Especial nº30.
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