Tenho tantos altos e baixos, será que sou bipolar?

* Por: Viviane Lajter Segal

Tenho ouvido muito recentemente frases do tipo “meu chefe é bipolar, porque eu nunca sei como ele vai falar comigo” ou “eu tenho muitos altos e baixos, acho que sou bipolar”. Esse termo se tornou praticamente um jargão para exemplificar ou justificar as variações de humor que uma pessoa possa ter cotidianamente.

A vida é repleta de momentos, detalhes, situações, que acontecem a todo instante. Somos bombardeados de informações, novidades e relações interpessoais que afetam o nosso humor. Em determinados momentos estamos alegres, frente a alguma situação afetiva e momentos depois, podemos estar tristes devido a uma notícia que tenha nos impactado, por exemplo.

Apesar do termo “bipolar” ser utilizado corriqueiramente hoje em dia, é importante esclarecer que se trata de uma doença séria, de difícil diagnóstico e que pode comprometer a vida do doente e de seus familiares se não devidamente tratada. Por isso, é importante diferenciá-la dessas utilizações populares.

Afinal, o que significa ser bipolar?

O transtorno de humor bipolar (THB) é uma patologia que possui diversos graus e subtipos. De uma forma geral significa uma oscilação entre pólos opostos do humor que são episódios depressivos e maníacos. Porém, tal variação nem sempre é fácil de ser observada e nem diagnosticada. Há pessoas que se mantém por períodos prolongados em um único estado, geralmente, o depressivo, apresentando esporádicos episódios maníacos nesse intervalo.

Na fase maníaca, ou de euforia, a pessoa apresenta um otimismo exagerado. Suas reações são exacerbadas e acredita que pode realizar qualquer coisa. Não há argumentação lógica que o detenha. Apresenta uma alegria demasiada, eufórica, fala alto, rápido e, geralmente, não aceita interrupções. Possui uma convicção absoluta de que é capaz de resolver ou realizar tudo. Nessa fase a pessoa age impulsivamente. É comum que se envolvam em compras, jogos e bebidas de forma compulsiva e desmedida. Assim, perda de bens e patrimônios torna-se um risco real.

Já na fase depressiva ocorre o inverso. O paciente apresenta um pessimismo exagerado, uma má notícia pode ser responsável por deixá-lo de cama durante dias. Perde-se a vontade de realizar as atividades corriqueiras, como higiene pessoal, trabalho e há um isolamento social. Há uma falta de motivação e interesse naquelas atividades que antes geravam prazer para a pessoa. Insônia ou a interrupção do sono no meio da noite é comum.

A família no tratamento

Lidar com uma pessoa com THB na família não é tarefa fácil. O primeiro impasse que os familiares têm é de entender que se trata realmente de uma doença e não que a pessoa está querendo chamar a atenção.

O tratamento do THB é longo e deve ser multidisciplinar, composto por um médico psiquiatra com a utilização de medicamentos específicos e um psicólogo clínico que vai ajudá-lo nos ganhos a longo prazo do tratamento.

A inclusão da família no tratamento deve ser considerada por ambos os profissionais. O relacionamento conjugal e parental podem ser afetados pelas inconstâncias do familiar com THB, podendo culminar em divórcios e rompimentos importantes. Além do risco real de endividamento e de falência.

A família deve buscar ajuda, receber informações sobre a doença e acompanhar a evolução do tratamento, para que, assim, possa suportar emocionalmente a situação e ajudar o familiar com o transtorno.

Aprendendo a conviver

Com a escolha de uma equipe profissional competente e que promova confiança tanto para o paciente, quanto para os familiares, o sucesso do tratamento do THB é possível!

Através da ação medicamentosa e do trabalho psicoterápico, a pessoa pode aprender a lidar melhor com a situação, se perceber mais e conhecer mais profundamente as suas próprias dificuldades. Se for possível incluir os familiares nessa dinâmica, o resultado do trabalho torna-se ainda mais promissor.

As pessoas com THB podem ter uma vida mais agradável e manter as relações afetivas que sejam importantes para ela.

FOTO: Flickr por Bohari Adventures
 
* Viviane Lajter Segal, psicóloga clínica, CRP 05/41087. Contatos: viviane@lajter.net e cel. 9271-1519
 
 

Written by Viviane Lajter Segal all rights reserved.

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