O Herói que vive em você

974531_28126792*Por: Marcela Pimenta Pavan

Os heróis dos filmes, dos mitos, dos quadrinhos sempre despertaram admiração e uma grande atração nos espectadores. Não só as crianças são tomadas pela coragem, ousadia e determinação desses personagens. Adultos de todas as idades são envolvidos pela atmosfera fascinante dos heróis que se superam na busca da vitória.

Tanta atração não é à toa, o personagem projetado nas histórias fala diretamente com o nosso herói interior. Em um nível, muitas vezes inconsciente, todos nós reconhecemos o arquétipo do herói, que é um conceito da Psicologia Junguiana. Segundo Murray Stein:

“O herói é um padrão humano básico – igualmente característico tanto de mulheres quanto de homens – que exige o sacrifico da “mãe”, significando uma atitude infantil passiva, e que assume as responsabilidades da vida e enfrenta a realidade de um modo adulto. O arquétipo do herói exige o abandono desse pensamento fantasioso infantil e insiste em que se aceite a realidade de um modo ativo”.

Isso quer dizer, entre outras coisas, que todos nós, em diferentes momentos da vida, necessitamos abrir mão do lugar conhecido e confortável para ir ao encontro do novo, saindo do lugar passivo para um movimento ativo. Quando vemos esse processo acontecendo nas histórias, independente do personagem, enredo ou ambiente, sabemos do que se trata porque, inconscientemente, também experienciamos na vida real várias situações desafiadoras e sabemos o quão ricas elas podem ser.

O que podemos aprender com o herói?

O herói tem sempre muito a nos dizer.  O personagem principal várias vezes entra na aventura um pouco inseguro, sem reconhecer em si os potenciais necessários para enfrentar os desafios que o esperam. Em muitas histórias ele recebe ajuda durante a trajetória e à medida que vai superando os desafios, vai também amadurecendo e se descobrindo. Reconhece em si o potencial que possui e se torna mais seguro e consciente da sua identidade. Podemos ver isso em Matrix, Harry Potter ou no mito arturiano de Guinglain.

Assim como o personagem principal das histórias nem sempre nos sentimos preparados para enfrentar os desafios da vida real. Em um casamento, por exemplo, mesmo quando o desejo de união é legítimo, é comum vermos os noivos inseguros, incertos da decisão à medida que a data do casamento se aproxima. Esse sentimento é natural, sair do papel de filhos, do ambiente conhecido do lar, para assumir um compromisso afetivo, social e financeiro que o casamento propõe não é simples, mas faz parte do processo de amadurecimento. Isso acontece também na separação, na gravidez, no novo emprego, na mudança de cidade. É no caminho que vamos percebendo que podemos dar conta da responsabilidade decorrente dos nossos desejos.

Mas a lição do herói também tem o seu lado confortador de que não é preciso enfrentar tudo sozinho.

Em Harry Potter, por exemplo, toda a jornada é permeada por personagens que o ajudam a conquistar seu objetivo final, alguns com informações e conhecimentos que ele não possui, outros o defendendo de perigos e outros ainda fazendo o trabalho que ele mesmo não conseguiu. Reconhecer na vida real a ajuda dos amigos, da família, do conhecimento, do dinheiro, ou qualquer outra, e valorizá-las, é uma grande lição também na vida real que torna a jornada menos pesada e possível de concluí-la.

Segundo Fabrício Moraes em seu texto: Algumas palavras sobre o “Arquétipo do Herói” e o Complexo de poder, ele diz:

“Quando nos remetemos ao arquétipo do herói, temos uma referência interessante: o herói nunca dá conta de tudo sozinho.  Sempre recebe o “auxílio sobrenatural” ou a ajuda de amigos. Por isso, quando compreendemos que os mitos são modelos exemplares (segundo Eliade), que nos orientam em como reagir nas mais diversas situações da vida, nós temos um excelente instrumento de referência para além da experiência individual.”

Amadurecimento

A vida nos impele ao amadurecimento. Várias são as situações que nos colocam à frente das mudanças desafiadoras e cabe a nós escolhermos o caminho a seguir.

O importante é perceber que não prosseguir, na direção daquilo que nos realiza, leva à frustração e consequentemente à estagnação e paralisia do movimento natural da vida.

O herói nos dá a pista certa de que podemos abandonar a ideia de sermos reféns do destino e nos tornarmos autônomos, autores da nossa própria história.

*Marcela Pimenta Pavan, psicóloga clínica, CRP 05/41841. 
contatos: marcelapimentapavan@gmail.com. Cel: (21) 99157-0818
Atendimento: Largo do Machado – R.J
 
 
Fontes:
Moraes, Fabrício. Jung no Espírito Santo – Blog de Fabrício Moraes 
psicologiaanalitica.wordpress.com/2010/11/05/algumas-palavras-sobre-o-arqutipo-do-heri-e-o-complexo-de-poder/
STEIN, Murray. Jung: O Mapa da Alma. São Paulo: Cultrix, 2005.
 
Texto postado em 2012. Todos os direitos reservados
 
 
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A autoestima na era do selfie.

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As selfies já fazem parte do nosso dia a dia. Registrar a própria imagem em um bom  ângulo e postar na rede se tornou tão comum que poucos ainda não se renderam a essa forma de estar presente no seu círculo virtual.

Mas, o que chama a atenção é que de algum tempo para cá as selfies tem crescido excessivamente demonstrando uma fixação em sim mesmo. Uma pesquisa da Academia Americana de Plástica Facial e Cirurgia Reconstrutiva fez um levantamento com 2,7 mil cirurgiões americanos e concluiu que um em cada três profissionais pesquisados registrou “aumento nos pedidos de procedimentos porque os pacientes estão mais preocupados com os olhares nas redes sociais”.  (Para ler mais sobre a pesquisa: oglobo.globo.com/sociedade/saude/com-febre-dos-selfies-cresce-numero-de-cirurgias-plasticas-nos-eua-12725349#ixzz3C4DiLFl9)

Será que há algo por trás desse comportamento? O que estimula as pessoas a ficarem tão preocupadas com a própria imagem?

De alguma forma receber várias curtidas, chamar a atenção e ser admirado faz com que as pessoas busquem mais e mais por isso, parece haver um desejo pelo olhar constante do outro. E não é só em relação aos bonitos, há espaço para vários estilos: os charmosos, os criativos, os nerds, os cultos.. A questão não é o que, mas a necessidade em parecer alguma coisa, impressionar o outro, chamar a atenção, independente se é adequado ou não. As selfies dos velórios demonstram que mais importante do que estar no velório e mostrar para os outros que está.

Excesso de autoestima?

A autoestima é a confiança no próprio potencial, a certeza da capacidade de enfrentar os desafios da vida, a consciência do próprio valor e do direito ao sucesso e à felicidade. (CERQUEIRA, 2004).

Lendo essa definição de autoestima podemos fazer uma nova reflexão. Será que as pessoas que estão muito preocupadas com o olhar do outro confiam tanto no próprio potencial? Quando precisamos constantemente da afirmação e da “curtida” do outro para sentir alguma satisfação, algo está equivocado. Estamos olhando cada vez mais para fora, ao invés de olhar para dentro, e isso reforça o sentimento de insegurança em si mesmo.

Isso quer dizer que esse movimento exagerado ao invés de demonstrar que as pessoas estão seguras e felizes consigo mesmas mostram, na verdade, o contrário. Uma auto insatisfação constante e a necessidade de parecer, muito maior do que a necessidade de realmente ser.

O risco é alto quando colocamos todas as fichas na aceitação do outro. Pois as outras pessoas podem não se importar, não curtir, não responder, não gostar. Nessa hora surge o sentimento de rejeição e inadequação. Para responder a essa inadequação as pessoas buscam novas formas de aparecer e chamar ainda mais a atenção.

E o que fazer?

O caminho para construir a verdadeira autoestima é totalmente inverso. Conhecer a nós mesmos e nos aceitarmos nos fortalece como indivíduos. É preciso coragem para olhar para si mesmo, ver as forças e as fraquezas, e ser generosos com isso, reconhecendo que toda a humanidade tem suas vulnerabilidades.

Por trás da beleza, do dinheiro, do status, da intelectualidade, há uma parte frágil querendo se esconder, as pessoas precisam ter espaço para mostrar sua fragilidade humana. Essa era da perfeição só colabora para mais ansiedade e sentimento de inferioridade.

Só através do autoconhecimento podemos receber quem nós somos, e assim se formos curtidos ou não, seja na rede social ou na vida, podemos seguir leves, pois escolhemos mostrar aquilo que, primeiramente, faz sentido e é coerente para nós mesmos.

Marcela Pimenta Pavan, Psicóloga Clínica, CRP 05/41841. Consultório: Largo do Machado – R.J / contato: marcelapimentapavan@gmail.com 
 
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Tão importante quanto criar laços é saber mantê-los. Workshop Relacionar.

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Olá queridos leitores,

Aqui quem fala é a Marcela, escritora do blog e psicóloga. Sempre escrevo aqui sobre a importância de termos boas relações, elas são a base para uma vida harmônica e feliz. Além disso, os relacionamentos nos tiram da zona de conforto e nos fazem amadurecer, pois exigem reflexão e um olhar verdadeiro para nós mesmos.

Agora teremos a oportunidade de nos conhecermos pessoalmente e aprendermos muito.

O Workshop Relacionar foi criado para ajudar as pessoas a melhorarem suas relações em casa, no trabalho, no amor, na vida. O evento vai unir os recursos da PNL – Programação Neurolinguística com o conhecimento da Psicologia, para ensinar formas de desenvolver uma melhor percepção de si mesmo e do outro.

Eu, e a coach Kamila Milaneze, estaremos conduzindo temas relacionados ao assunto através de técnicas, reflexões e vivências. O conteúdo do Workshop segue abaixo junto com mais informações do evento.

Espero vocês lá!

Um abraço,

Marcela

Marcela Pavan, é Psicóloga e Especialista em Terapia de Família e Casal pela PUC-Rio. Analista Junguiana em Formação pelo IJEP – São Paulo. CRP: 05/41841. contato: marcelapimentapavan@gmail.com

Kamila Milaneze, é Professional & Self Coach, formada pelo IBC – Instituto Brasileiro de Coaching. Analista Comportamental  e  Behavorial Analist pelo Behavolrial Coaching Institute. contato: contato@km-coaching.com

* Consultoria e Planejamento de Comunicação: Jeany Duarte. jeanyduarte@gmail.com (21) 98056-6621 *

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Programação

1º Dia

  • Apresentação / Convivência em Grupo
  • Palestra introdutória

                  – A importância das relações / autoestima

  • Auto conhecimento – Relacionando-se consigo mesmo
  • Interações

                  – Escuta ativa / julgamentos

  • Inteligência emocional
  • Mudança de comportamentos

 2º Dia

  • Conflitos

                – Projeções

                – Dependência afetiva x Relações saudáveis

                – Harmonização

  • Comunicação

               – Estrutura de linguagem

               – Discussões x feedback

  • Habilidades de Relacionamento

               – Comunicação assertiva / Liderança (perfil)

  • Encerramento

              – Vivência de encerramento

Workshop Relacionar

Carga Horária: 16 horas | 2 Sábados (11 e 18 de Outubro)
Local: Rua Visconde de Pirajá, 351, Andar P, Ed. Fórum Ipanema – RJ
Duração: 9h às 18 h (Coffee Break: 10h30 e 16h – Intervalo: 13h às 14h)
Material: Apostila de Atividades 
Investimento: R$380,00 (em até 12x no cartão)
Inscreva-se: www.km-coaching.com/#!workshop-relacionar/cqq9

 

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Psicologia Junguiana

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Olá queridos leitores!

O IJEP – Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa – que atua há mais de 20 anos em São Paulo, está iniciando no Rio de Janeiro a sua pós-graduação em Psicologia Analítica para a formação de Analistas Junguianos. As aulas acontecem em Botafogo, no primeiro sábado de cada mês e a especialização tem duração de 25 meses, com 595 horas.

Os leitores de “A Caminho da Mudança” terão um desconto de 7% nas mensalidades. Para obter o desconto informe a senha na hora da inscrição. Para receber a senha envie uma solicitação por e-mail para acaminhodamudanca@gmail.com . São apenas 10 senhas e para novos alunos.

Segue o vídeo do Coordenador da especialização Professor Dr. Waldemar Magaldi Filho e o link do site do IJEP, com as informações detalhadas da pós-graduação, além de esclarecimentos sobre a linha psicológica fundada por Carl Gustav Jung.

IJEP – Pós graduação Junguiana

 

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Reflexões psicológicas sobre o filme “A culpa é das estrelas”.

a-culpa-e-das-estrelas“Você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados, e sou muito grata por isso.” Hazel

Logo após assistir o filme “A culpa é das estrelas” fiquei, além de emocionada, intrigada por não conseguir definir naquele momento o que tinha de tão tocante no filme que fez grande parte do público se emocionar intensamente. Depois de algum tempo as hipóteses começaram a surgir mais claramente. Como psicóloga sei que tudo o que nos toca fortemente, seja na arte ou na vida, fala muito de nós mesmos, então comecei a refletir o que teria no filme que poderia ser comum ao coletivo, o que o filme aborda que consegue nos tocar tão profundamente? Algo que seja não só um aspecto comum a todos, mas que fale do nosso ponto sensível: a finitude. Mas, falar que o filme retrata somente a perspectiva da morte não seria justo. A morte foi o fio condutor do filme, o que nos sensibiliza a ponto de pararmos um pouco e pensarmos na imensidão da vida e aprender com isso. Nesse aspecto o filme retrata também beleza, amor e ricos ensinamentos sobre o que vale a pena ser vivido, hoje. Toda essa junção de elementos supera os clichês e torna o filme verdadeiramente emocionante.

O filme conta a história da adolescente Hazel com um grave problema de saúde e o seu relacionamento com Gus, além da relação dela com seus pais. Separei três pontos na história que cabe uma reflexão psicológica, mas o filme traz muito mais possibilidades de reflexões. Cada um vai ser atraído para as questões que lhe são mais relevantes, principalmente quem já vivenciou a morte de alguém querido. Para mim foram esses os pontos mais interessantes:

  •  A dor precisa ser sentida.

Essa é uma frase destacada no filme. Falando especificamente da dor emocional, que pode se tornar física, é interessante pensar como nos dias de hoje evitamos a todo custo pensar e sentir a dor, parece não haver muito espaço para isso, toda vez que alguém conta algo triste é comum ouvir “não fica assim, já, já isso passa”, “não sofra por isso, é bobeira”. Parece que há um desconforto geral com o assunto e por isso pouca disposição para suportar emocionalmente o sofrimento do outro.  Muitas vezes a pessoa com uma dor emocional  só precisa poder chorar, mostrar sua fraqueza e ser compreendida, desabafar e encontrar alguém que legitime a sua dor. No consultório quando vejo alguém falar da morte de alguém muito querido com serenidade, é sinal que aquela pessoa teve a oportunidade de elaborar, de falar e viver isso, teve espaço para “digerir” emocionalmente a separação. Isso vale para qualquer morte, a morte de um relacionamento, a morte de uma etapa da vida… Precisamos encontrar espaço na vida para elaborar as mortes.

  •  A impotência diante de alguns fatos da vida.

Esse ponto é um dos mais importantes. No filme não se espera a cura, o que importa é viver os dias que se apresentam sem saber quantos ainda haverá pela frente. Independentemente de alguma doença terminal a nossa vida também não é assim? Quem sabe quantos dias ainda iremos viver? Isso leva a duas outras boas reflexões.

A primeira sobre as oportunidades que temos todos os dias e não nos damos conta, sobre como estamos orientando a nossa vida hoje. Se estamos levando uma vida coerente com o que nos faz verdadeiramente feliz? Se não, o que podemos mudar? Como?

A outra reflexão é sobre o controle. Vivemos em uma época na qual estamos sempre alertas, estamos com tantas responsabilidades que às vezes nos sobrecarregamos e pesamos demais as situações, nos sentimos culpados por qualquer coisa que saia do controle. Somos responsáveis por muitas coisas sim, mas é importante estar consciente que não controlamos tudo, sobretudo pessoas e relacionamentos. Existe algo da ordem do imprevisto, que simplesmente não controlamos mesmo que desejemos. A questão é como lidamos com aquilo que não podemos controlar. Como tirar o melhor daquilo que é incontrolável. Essa reflexão cabe a cada um individualmente.

  •  A autonomia da família.

No filme um dos maiores problemas de Hazel é como a família irá viver quando ela morrer.  Também na vida real, os pais que tem um filho com uma séria dificuldade de saúde, ou comportamento, tem a tendência a direcionarem totalmente a sua vida para aquele filho que precisa de cuidados. Essa dedicação exclusiva dos pais pesava muito na vida de Hazel que se sentia responsável pela felicidade ou sofrimento deles, ela temia o caos que poderia provocar em sua família. Quando ela tem a oportunidade de falar disso com os pais, a mãe revela que estava iniciando uma faculdade e que estava fazendo planos para um trabalho futuro, ajudar outras famílias que vivem a mesma dificuldade. Isso se torna um alívio para a protagonista e faz com que a família se aproxime ainda mais. Na vida real esse aprendizado pode ser muito útil. Quando os membros da família podem conversar sobre seus medos novas formas de superação aparecem. A família que consegue fazer planos e incluir outras perspectivas em sua vida, que não estejam exclusivamente ligadas aos filhos, como: um novo trabalho, estudo, novos amigos, algum hobby, etc. Ganham um futuro e um sentido de vida, reescrevem sua identidade e vivem mais felizes.

*Marcela Pimenta Pavan, psicóloga clínica, CRP 05/41841.             
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Você se aceita como é?

reflexxo* Por: Marcela Pimenta Pavan

“Curioso Paradoxo: Só quando me aceito como sou, posso então mudar” Carl Rogers.

Muitas pessoas procuram terapia para mudar alguma coisa em sua vida, seja um relacionamento, uma postura diferente perante a alguma situação, um comportamento indesejável… É comum as pessoas terem pressa pela mudança, buscando solucionar o problema pela forma mais racional possível. O interessante é que no processo da psicoterapia a pessoa vai se dando conta que antes de olhar para fora com ansiedade, é preciso entrar em contato consigo mesma, olhar para suas dificuldades e reconhecer seus desejos, aceitando-os. Só depois desse auto reconhecimento é que possível se libertar de algumas crenças e experienciar as mudanças desejadas, que não serão instantâneas. A aceitação de si mesmo traz a preparação necessária para o processo da mudança.

Porém, muitos de nós estamos acostumados desde cedo a fazer o movimento contrário, a não nos aceitarmos, nos corrigindo o tempo inteiro. Ouvimos na infância o não repetidas vezes, não pode isso, não pode aquilo. O não e o limite são importantes para nos ajustarmos a sociedade e aprendermos a lidar com a frustração, entretanto, se não somos também reconhecidos pelos nossos acertos e pela nossa essência, a crítica em excesso pode interferir na nossa auto estima e a possibilidade de internalizar um sentido forte de inadequação.

Como isso influencia a minha vida hoje?

Crescer se achando inadequado em demasia nos faz querer parecer um pessoa diferente do que somos, sempre alertas sobre a imagem que estamos passando e excessivamente preocupados com a opinião dos outros. É uma busca inconsciente e incessante para ser valorizado e aceito pelo outro, sendo que, muitas vezes, ainda nem nos aceitamos como somos, não paramos primeiro para nos entender com um cuidado generoso. Isso traz vulnerabilidade e insegurança, dependendo demais do retorno do outro para saber se estamos indo bem ou não. Quando transferimos essa responsabilidade para o meio, colocamos o rumo da nossa vida em algo longe de nós. A impressão das pessoas, sem dúvida, é importante para nossa construção psíquica, mas, quando há o desequilíbrio, a confusão e ansiedade nos tira do caminho coerente com aquilo que nos faz feliz. Começamos a viver uma vida estranha para nós mesmos.

Como faço para me aceitar melhor?

É fundamental fazer o caminho do auto conhecimento, olhar com atenção e coragem tanto para os aspectos desejáveis quanto para os indesejáveis. Aceitar não significa a princípio gostar, mas considerar e respeitar o que se é, reconhecendo que o hoje é resultado de todas as experiências vividas, sejam elas boas ou ruins. É uma oportunidade para se perdoar, para refazer os laços consigo mesmo, e isso consequentemente, leva a uma postura mais próxima e atenta aos próprios anseios, ao invés da busca incessante pela valorização do outro como uma forma de compensar a falta de amor e aceitação por si mesmo.

É preciso  resistir a reação de excluir algo em nós que não nos agrada e integrar todas as nossas diferentes partes. Muitas vezes precisamos de ajuda nessa caminhada e a psicoterapia, sem dúvida, pode ajudar muito nesse processo. É um desafio que vale a pena, pois é altamente libertador. Só a partir disso podemos verdadeiramente redirecionar nossa vida, ajustar as velas e seguir mais confiantes e inteiros, escolhendo navegar na direção de uma vida mais feliz.

“Só aquilo que somos realmente tem o poder de curar-nos” Carl G. Jung.

*Marcela Pimenta Pavan, psicóloga clínica, CRP 05/41841.             
Atendimento clínico: Largo do Machado – R.J
Contato: marcelapimentapavan@gmail.com 
 
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Os relacionamentos nas redes sociais

(*)

A vida está muito corrida! Os dias estão cada vez menores para que possamos realizar todas as tarefas que precisamos ou desejamos. Muitas horas têm sido perdidas no trânsito. As refeições estão mais rápidas e temos menos tempo para dormir e descansar.

A falta de tempo é um problema que acomete a maior parte da população mundial. Com isso, a interação entre as pessoas está cada vez mais virtual. O pouco tempo que se tem livre é um dos motivos que diminui ainda mais a disponibilidade das pessoas para saírem e se encontrar.

Aproximando pessoas

O mundo virtual é mais rápido, mais direto e imediato. Além disso, a todo momento um novo dispositivo de relacionamento virtual é criado, o que facilita e estimula esse tipo de interação social. Há uma variedade grande de meios de comunicação virtual, entre eles e-mail, redes sociais, torpedos, chat, mensagem de texto, blog e tantos outros.

Tais formas de relacionamento são importantes e facilitam a vida moderna e rápida a qual estamos inseridos. São capazes de diminuir distâncias entre pessoas que vivem longe. Aceleram a comunicação tanto no trabalho, quanto no campo pessoal. Geram oportunidades de reencontros, produzem menor gasto para os usuários e para as empresas. Globalizam o acesso a informações.

O grande número de pessoas que são facilmente acessadas mediante a internet permite que haja também um movimento politizado das redes sociais, que promovem uma mobilização de multidões em prol de uma causa. Acompanhamos isso tanto em passeatas contra a corrupção no Rio de Janeiro, como quedas de ditaduras em países árabes.

Além disso, escutei uma história que exemplifica outra vantagem dos dispositivos virtuais. Trata-se de um casal de brasileiros que vivem há anos na Itália. Pelo menos três vezes por semana eles se sentam a mesa de jantar com o computador ligado e “jantam” com seus familiares que moram em São Paulo. Nesse caso, o mundo virtual foi capaz de promover um reencontro e manter o contato entre pessoas queridas, mas que, por uma imposição geográfica, estão distantes fisicamente.

Mas, então, há algum problema?

Verifica-se que o contato físico entre as pessoas está diminuindo. Cada vez mais escutamos histórias de namoros, amizades, encontros, que duram por bastante tempo até que os componentes decidam se encontrar pessoalmente.

Inúmeras são as histórias de pessoas que se aproveitam da virtualidade para mentirem a respeito das suas informações pessoais, utilizando fotos falsas ou dados inverídicos para estimular o interesse e a curiosidade do outro. Com isso podemos pensar, até onde esse tipo de relacionamento pode ser considerado real?

Outro aspecto relevante é perceber até onde alguém transfere, de forma prejudicial, seus relacionamentos pessoais para os virtuais. Há alguns sinais que podem demonstrar essa tênue diferença.

O principal comportamento observado é uma diminuição da vida social, assim como a perda do interesse de realizar atividades que não sejam mediante um computador.

Por trás dos relacionamentos virtuais podem existir pessoas com dificuldades nas relações interpessoais, como uma timidez excessiva, medo ou insegurança de se expor ao outro. Por isso, a virtualidade se torna uma forma de refúgio.

Distanciando pessoas

Uma pesquisa recentemente publicada, realizada entre diversos países, verificou que a maioria dos jovens com até 30 anos de idade, principalmente brasileiros, preferem ter acesso à internet a namorar, ouvir música ou sair com amigos. (**)

Devemos, portanto, ter cuidado de como utilizar as ferramentas virtuais. As amizades e os relacionamentos afetivos não devem ser baseados exclusivamente na forma virtual. As pessoas precisam de contatos pessoais, como abraços, sorrisos, beijos, toques. A interação direta com o outro permite que os indivíduos se sintam pertencentes a algum grupo real. A ausência disso gera relações cada vez mais distantes, impessoais e solidão.

É dessa forma, presencial, que a nossa rede de apoio, geralmente formada pela família e amigos próximos, fornece suporte emocional para lidarmos com os problemas que surgem ao longo da vida. Assim, as pessoas sentem-se menos solitárias e sozinhas. Quem não gosta se sentir um abraço apertado de uma pessoa querida ou receber um colo quando passamos por alguma situação difícil?

A busca por um ponto de equilíbrio

Para tudo existe um equilíbrio! A vida virtual promove inúmeras recompensas, porém, não deve se tornar uma fuga para aumentar o distanciamento entre as pessoas e, consequentemente, exacerbar as dificuldades de cada um.

O importante é sabermos utilizar, a nosso favor, os benefícios que cada tipo de relacionamento promove, de modo que possamos viver mais plenamente e próximos daqueles que amamos.

Esse tema apresenta diversos aspectos que podem ser abordados e discutidos. Se você ficou com alguma dúvida ou curiosidade sobre o assunto comente ou mande um e-mail para acaminhodamudanca@gmail.com

(*)      Fonte imagem: http://www.photoxpress.com

(**) Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/978270-jovens-dao-mais-valor-a-internet-que-a-namoro-moradia-e-carro.shtml

Por: Viviane Lajter Segal
Psicóloga clínica CRP 05/41087 – viviane@lajter.net

Written by Viviane Lajter Segal all rights reserved.

 

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