Que tiro foi esse? Os impactos psicológicos da violência urbana.

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A violência, em todos os seus aspectos, faz parte do cotidiano dos brasileiros. Assaltos, assassinatos, discussões, agressões físicas, confronto entre traficantes e a polícia, brigas em família, na escola, no trânsito…

Frequentemente vivenciamos essas situações ou ficamos sabendo de algum caso com alguém próximo. Além disso, somos bombardeados pelos jornais, facebook, whatsapp com notícias de violência.

Todo essa opressão traz impactos para o psiquismo dos cidadãos. Quando alguém, que tem um filho, assiste a um noticiário onde uma criança é morta na escola por causa de um tiroteio, automaticamente se coloca nessa situação e sente angústia, medo, revolta…

São muitas as sensações geradas por esse contexto de violência. O que fazemos com todas essas sensações ruins? Como elas impactam a nossa saúde emocional e mental?

 Alterações na saúde e nas relações.

O ser humano tem uma resposta fisiológica quando está em um ambiente hostil. Ele reconhece uma ameaça e, consequentemente, todo o seu corpo fica em alerta para tentar se defender do perigo eminente.

A situação de violência é uma ameaça frequente, que não sabemos nem quando e nem como acontecerá, isso leva o nosso corpo a ficar constantemente em alerta, tentando se defender de possíveis perigos. Com isso, surge o estresse e a saúde pode sofrer inúmeros prejuízos: crises de ansiedade que levam a taquicardia, falta de ar, insônia. Um estudo da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia mostrou que 45% dos Brasileiros são atingidos pela insônia, um resultado alto que desencadeia outros problemas como fadiga, hipertensão, intolerância. Além disso, o medo da violência pode acarretar fobia e depressão, dificuldades de enfrentar o medo que levam a desmotivação e ao isolamento.

Nos relacionamentos, as ameaças constantes geram uma superproteção das pessoas com as outras, principalmente dos pais em relação aos filhos. Quando uma criança cresce num ambiente superprotegido ela tende a não experimentar situações novas, a não perceber e colocar a prova a sua potência e a sua capacidade de enfrentar os desafios. Assim não aprende a se defender, o que aumenta a insegurança tanto dela quanto dos pais.

É natural que as pessoas tenham medo de algo ruim acontecer com um parente próximo. Apesar de compreensível, muitas vezes esse comportamento não ajuda. Se preocupar com a segurança é fundamental, mas o excesso de zelo, tensões e preocupações sobrecarregam as relações.

O que fazer então?

Sabemos que a solução para a violência não é individual, é preciso mudanças sociais, éticas e econômicas na forma de conduzir o país para oferecer uma vida mais digna para as pessoas.

Mas, e enquanto isso não acontece? Como conviver com essa realidade?

É comum que todas essas sensações ruins que sentimos, em situação de violência, sejam transferidas para outras situações na nossa vida e, muitas vezes sem perceber, contribuímos com o ambiente violento. Quando alguém é agressivo conosco o quanto disso não levamos para o trabalho, para as redes sociais, para o casamento, para os filhos? Por isso a importância de termos a consciência de como somos afetados e mais ainda, como não perpetuar a agressividade e a raiva.

Do ponto de vista psicológico algumas atitudes podem ajudar as pessoas a se protegerem um pouco de toda essa atmosfera hostil.

  • Se prepare para o dia:

Não é porque ontem foi difícil que hoje precisa ser, pense como será o seu dia e inclua pensamentos mais positivos. Faça uma meditação ou mentalize na sua crença um dia bom, harmônico e produtivo.

  • Viva o contrário da violência

Perceba as pessoas a sua volta, se comunique com elas agradavelmente, seja gentil. É impressionante como as pessoas retribuem e contribuem também para um dia melhor.

  • Procure a Tranquilidade

Busque a sua paz, onde ela está? Nos amigos, na espiritualidade, na natureza, na atividade física. Fique perto das coisas que te acalmam para manter sua mente em equilíbrio. Além disso, encontre alguns recursos que possam te ajudar no dia a dia quando ficar com raiva e quiser revidar, principalmente em pessoas que nada tem a ver com a situação problema. Tenha algo que te descontraia rapidamente, um vídeo divertido no celular, um amigo para ligar, uma saída rápida, etc. Tudo isso ajuda a não ser tragado pela atmosfera de violência e indignação

  • Tenha um tempo pra você

Encontre espaços de harmonia e reflexão. Ambientes que te tragam a tranquilidade necessária. A psicoterapia é uma ótima opção, um caminho que leva ao autoconhecimento e auxilia a lidar melhor com as dificuldades do dia a dia.

  • Faça algo a respeito

Se a situação da violência é algo que te afeta e você acredita em coisas que possam melhorar essa situação, porque não começar a fazer algo a respeito? Seja na política, na educação, na saúde. Realize algo que possa contribuir de fato para a mudança desse contexto em que todos estamos inseridos. Quando nos colocamos em ação, saímos do lugar de somente reféns para o lugar de atuantes. Do ponto de vista psíquico, essa atitude traz autonomia e fortalecimento pessoal, aspectos importantes para uma vida com mais bem estar.

Marcela Pimenta Pavan é Psicóloga Clínica. Analista Junguiana e especialista em Família e Casal pela PUC-Rio. Trabalha com questões ligadas a relacionamentos, bem estar, felicidade, conflitos pessoais, ansiedade, depressão, entre outras. Atendimento online: www.acaminhodamudanca.com.br. Consultório: Largo do Machado – R.J. 
Contato: marcelapimentapavan@gmail.com
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Caminhando juntos!

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Olá! Muitos que curtem as postagens no Blog e a nossa página no facebook já nos conhecem, mas muitos são novos, por isso vamos contar um pouquinho da nossa proposta.

Eu, Marcela, e a Viviane somos psicólogas e criamos o Blog “A Caminho da Mudança” em 2011. Já temos 7 anos de caminhada e de lá pra cá, aprendemos muito, tanto no consultório como na internet. Aprendemos principalmente quando trocamos com as pessoas, quando alguém nos confia suas questões e nos dá a oportunidade de ajudar. O Blog é só uma maneira de chegarmos até vocês com os assuntos que consideramos relevantes.

O “A Caminho da Mudança” surgiu da nossa vontade de promover um espaço para o debate dos assuntos cotidianos a partir de uma visão psicológica.

Esperamos que apesar da correria do dia a dia e do tempo limitado, haja um momento de reflexão e de questionamento a respeito da enorme gama de informações e de situações que nos acontecem diariamente. Muito do que vivemos toca o nosso emocional e, consequentemente, as nossas relações e a nossa vida.

Quando a reflexão se amplia a mudança é inevitável! Renova-se o olhar sobre o mundo e, consequentemente, sobre si.

Por isso, reafirmamos a nossa proposta:

Juntos seguimos o caminho em direção a mudança!

Marcela Pimenta Pavan e Viviane Lajter Segal

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O tornar-se mãe

 

*Por: Viviane Lajter Segal

O momento da descoberta de uma gravidez gera um turbilhão de emoções que vão aumentando juntamente com o crescimento da barriga. Mulheres que se tornarão mães pela primeira vez sentem um misto de realização, expectativas, ansiedades e medos. O que esperar dessa nova vida?

O momento do nascimento de um bebê é único e geralmente vem acompanhado por uma sensação de completude, felicidade, alívio, realização, entre tantos outros sentimentos bons que podem ser citados aqui. Porém, há também um outro lado da maternidade, que pouco é comentado, mas que precisa de atenção, muito carinho e de acolhimento para a recém mãe. Não é incomum conhecermos histórias de mães que se sentem profundamente tristes após o parto, angustiadas diariamente no puerpério. Apesar dessas sensações de angústia serem pouco verbalizadas publicamente, elas são naturais nesse período.

Se prestarmos atenção na fala dessas mães perceberemos o enorme sentimento de culpa e de vergonha que acompanham toda essa angústia e, por isso, elas acabam guardando para si todas essas emoções. Autocríticas são recorrentes, como: “Como posso estar triste depois de realizar o sonho de ser mãe? Porque estou angustiada se amo muito meu filho? Não tenho direito de reclamar, meu filho nasceu perfeito e com saúde!”

Preconceito social

Verbalizar em voz alta esses sentimentos, pode ser muito doloroso. O medo do julgamento e da crítica é muito forte. Há uma pressão social que espera que uma mulher no puerpério, deva se sentir plena, feliz e realizada. Há muitos preconceitos sobre àquelas que se mostram um pouco mais entristecidas ou angustiadas. Essas mulheres são rotuladas como péssimas mães, que não amam seus filhos, ou mesmo como “desequilibradas”. São críticas muito fortes para quem, na realidade, só precisa de atenção e acolhimento no seu sofrimento. Rótulos esses que inibem que as mães consigam conversar com alguém sobre suas questões mais íntimas. Quanto mais elas guardam para si suas angústias, mais difícil se torna a sua resolução.

O tornar-se mãe é um processo muito delicado para as mulheres. Mexe com questões muito primitivas. Nos remonta a nossa própria infância e a forma como fomos recebidos no mundo. É uma enorme mudança na vida da mulher. Rotinas, falta de sono, estranheza com o próprio corpo, insegurança de como cuidar de um bebê tão frágil, alterações hormonais, são algumas dessas dificuldades.

Toda mudança gera angústia, mesmo quando são mudanças planejadas e desejadas! É um momento em que a mãe necessita de cuidado, apoio e carinho. Uma psicoterapia pode ser um bom auxílio, por se tratar de um espaço em que ela pode falar sobre tudo sem medo dos julgamentos ou críticas.

Depressão pós-parto

Apesar de ser relativamente comum surgirem essas tristezas no pós-parto, elas tentem a diminuir com o passar das semanas à medida em que essa mulher vai estabelecendo alguma rotina e ganhando mais segurança na relação com o bebê. Porém, há mães que não seguem esse caminho e, na realidade, os sintomas vão ganhando ainda maior intensidade. O que torna o cuidar um processo praticamente impossível e doloroso. Podemos estar à frente de uma mulher com depressão pós-parto.

É uma doença muito séria, que impede que a mãe consiga cuidar do seu filho e, consequentemente, o vínculo afetivo tão importante nesse primeiro momento entre mãe-bebê fica prejudicado, podendo gerar sequelas nessa relação para a vida toda. Nesse caso é muito importante que haja uma terceira pessoa, que pode ser o pai, a avó, ou qualquer outra que esteja disponível para dar afeto ao bebê.

Naturalmente essa mulher também necessita de cuidados. O tratamento adequado para a depressão pós-parto é a psicoterapia associada a um tratamento recomendado por um médico psiquiatra. Além do apoio e acolhimento familiar tão fundamentais.

Respeite o outro

O tornar-se mãe é um momento muito especial na vida de qualquer mulher, geralmente muito desejado e aguardado. Permite que haja uma transformação interna, uma reavaliação de sua própria vida e uma necessidade de fazer diferente, de ser uma pessoa melhor para seus filhos.

O que precisamos ter sempre em mente é que cada pessoa tem o seu próprio tempo de transformação e que é preciso respeitar a individualidade de cada um! Com o apoio adequado, essa nova mãe será capaz de aproveitar cada momento delicioso que a maternidade pode proporcionar!!

 

* Viviane Lajter Segal, CRP 05/41087, é Psicóloga Clínica, Psicanalista em formação pela SPCRJ e especialista em Terapia de Família e Casais pela PUC-Rio. Consultório em Copacabana, R.J. Acompanhamento online: http://www.acaminhodamudanca.com.br.
Contato: viviane@lajter.net 
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A arte do cuidado.

Como a capacidade de cuidar pode tornar a vida mais feliz.

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O cuidado no cotidiano se apresenta nas mais variadas relações, como entre um casal, entre irmãos, com os animais de estimação, entre mãe e filhos, etc. Pode ser algo natural e fácil, mas não necessariamente. Nem todo mundo se sente apto a cuidar de alguém, pois exercer isso exige a capacidade de voltar a atenção e a energia para algo fora de si e algumas pessoas não estão dispostas, porque dá trabalho. Acontece que o cuidado faz parte da vida de todos nós, se estamos aqui hoje é porque fomos cuidados, talvez não da maneira que desejávamos, mas fomos. Alguém nos alimentou, embalou, limpou e vestiu, voltou a sua energia e a atenção para nós, nos salvou de perigos. Da mesma forma a vida pede que cuidemos também em algum momento: seja no nascimento de um filho, quando os pais envelhecem, no tratamento com as plantas e com os animais.

O cuidado é altamente benéfico para a nossa saúde emocional, tanto aquele que recebemos quanto o que conseguimos oferecer aos outros.

Quando uma criança se sente cuidada, ela se sente amparada, protegida, apoiada. São aspectos muito importantes para um bom desenvolvimento psíquico e, consequentemente, para a formação de um adulto seguro e feliz.

Ter a capacidade de cuidar de algo ou alguém, nos ajuda a prestar mais atenção no que acontece fora de nós, a perceber a necessidade do outro, a nos esforçar para sermos um pouco melhores, nos mobilizando em direção ao coletivo.

Muitas vezes sentimos um vazio enorme  por não termos recebido o cuidado de um pai ou de uma mãe e ficamos parado nesse ponto, tentando encontrar algo ou alguém que preencha essa lacuna. O duro é que em algum momento percebemos que ninguém é capaz de preencher isso. Aceitarmos a falta e ressignificá-la, nos ajuda a seguir em frente e a perceber que quem melhor pode nos ajudar nesse processo somos nós mesmos, através do auto cuidado. Esse processo não é simples, por isso, a psicoterapia é uma grande aliada na conscientização e na mudança de um padrão antigo.

Se observe sempre

Caso se sentir cuidado e amparado é vital pra você neste momento da vida, perceba primeiro como é que você está cuidando de si, em todos os aspectos. No visual, na saúde, se está se preservando de situações difíceis, etc. Como diz a frase da Clarice Lispector “Cuide-se como se você fosse de ouro, ponha-se você mesma de vez em quando numa redoma e poupe-se”.

Depois perceba como você está cuidando das coisas que estão ao seu entorno, da sua casa, das suas plantas, da sua família, da sua cidade. Muitos querem receber cuidado, mas poucos estão dispostos a oferecer. A vida pessoal e coletiva se enriquece quando incorporamos a habilidade do cuidar no nosso cotidiano. O mundo está precisando de pessoas capazes de cuidar. Dentro das nossas possibilidade podemos aproveitar pequenas e significativas maneiras de cuidar de nós mesmos e dos outros. Essas atitudes estimulam que os outros também nos tratem com carinho, tornando a vida mais leve e mais feliz!

Marcela Pimenta Pavan é Psicóloga Clínica. Analista Junguiana e especialista em Família e Casal pela PUC-Rio. Trabalha com questões ligadas a relacionamentos, bem estar, felicidade, conflitos pessoais, ansiedade, depressão, entre outras. Atendimento online: www.acaminhodamudanca.com.br. Consultório: Largo do Machado – R.J. 
Contato: marcelapimentapavan@gmail.com
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Precisamos falar sobre o suicídio

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* Por: Viviane Lajter Segal

De acordo com dados da Associação Brasileira de Psiquiatria 17% da população brasileira já pensou, em algum momento, em tirar a própria vida. Todo ano são registrados cerca de 10 mil suicídios no Brasil e um milhão no mundo todo. Por causa desses números alarmantes o suicídio se tornou uma epidemia. Porém, é uma epidemia silenciosa, pois existe um tabu muito grande da sociedade em falar sobre o assunto, discutir possibilidades de evitação e mesmo de assumir que um ente querido tenha terminado com a própria vida.

Quebrando tabus

Na maior parte das vezes aquele que se suicida avisa de alguma forma, e mais de uma vez, antes de cometer o ato. Porém, há uma descrença das pessoas próximas. Geralmente acreditam que a pessoa está querendo apenas chamar a atenção, ou que “quem quer se matar de verdade não avisa, simplesmente se mata.” Pensamentos completamente enganados!

A ideia de acabar com a própria vida não é corriqueira e não podemos considerar que seja algo natural em algum momento da vida. Por isso, quando alguém chega a verbalizar a vontade de se matar, é importante que familiares e pessoas próximas fiquem atentos ao invés de desdenhar e deixar o assunto de lado. Além da descrença e do preconceito sobre o assunto, há também um real despreparo da sociedade com o problema.

O que fazer?

O que fazer quando uma pessoa querida cogita a ideia de acabar com a própria vida? Buscar ajuda profissional e nunca duvidar! Os profissionais capacitados para lidar com essa situação são o psicólogo e um médico psiquiatra. Juntamente com essa rede profissional é imprescindível que haja um apoio familiar que suporte esse momento de angústia tão forte.

Aspectos psicológicos

A grande maioria daqueles que já pensaram alguma vez em tirar a própria vida apresenta algum tipo de adoecimento mental que o leva a acreditar que essa seja a melhor solução para acabar com o sofrimento gerado e por todo estigma que isso carrega. As doenças mentais mais comuns são depressão, bipolaridade e esquizofrenia.

Existem também outras circunstâncias da vida em que a possibilidade de ideação suicida é maior, como: pessoas enlutadas (principalmente em idosos), abuso de álcool e drogas, pessoas que sofreram maus tratos ou abuso sexual na infância e o desamparo. São situações em que a angústia e o desespero são tão intensos que a pessoa não suporta sentir.

Geralmente o processo de angústia e desespero vai crescendo aos poucos. A pessoa começa a se isolar, a evitar situações que antes eram prazerosas e pode até começar a ter dificuldades na realização das tarefas diárias como ir trabalhar, por exemplo. Nesse movimento, não se consegue perceber racionalmente o motivo de tamanho desespero, pois “tenho tudo que alguém gostaria de ter” e, com isso, a vergonha e a culpa de estar se sentindo mal apesar “de estar tudo bem perante os olhos dos outros” faz com que ela se feche e se isole ainda mais. A pessoa sente muita vergonha de conversar e de pedir ajuda, dessa forma, os sintomas tendem a piorar.

Viver

Existem sim outras saídas! O apoio e o afeto das pessoas próximas são fundamentais. A psicoterapia se torna um espaço fundamental em que essa pessoa pode trabalhar os seus fantasmas e os medos mais profundos e perceber que existem outras formas de viver apesar daquilo que lhe aconteceu. A medicação, receitada por médico psiquiatra, também se torna um aliado imprescindível para permitir que a angústia e a ansiedade diminuam um pouco e, no caso das doenças mentais, que seja realizado o tratamento devido.

A vida é complexa e repleta de altos e baixos. Mas, precisa ser vivida da forma mais leve possível. Mesmo quando desacreditamos ou algo nos parece maior que as nossas forças são capazes de suportar, sempre há uma saída! Acredite e não tenha vergonha! Peça ajuda para conseguir transformar as dificuldades em algo menos doloroso e mais suave.

Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas sim de que você não

está sozinho nessa jornada.

Seja feliz!

-Para ler mais sobre o assunto acesse: Suicídio: Informando para prevenir

 

*Por:  Viviane Lajter Segal, psicóloga clínica,CRP 05/41087. Atendimento  de adultos, idosos, casais e famílias.  Especialista em terapia de casal e família, PUC-Rio. Consultórios em Copacabana e Barra da Tijuca, RJ. Atendimento online A Caminho da Mudança. Contato: viviane@lajter.net

 

 

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Como demonstrar amor no dia a dia.

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*por Marcela Pimenta Pavan

Quando se fala em demonstrar amor muitos relacionam ao ato de falar “eu te amo”, mas as demonstrações de afeto vão muito além, dizer que ama é só uma das formas de expressão e para muitos não é uma situação fácil. No dia a dia temos várias oportunidades de manifestar nossos sentimentos, mas muitas vezes evitamos com medo da reação do outro ou por conta da nossa autocrítica.

Há muitos mal entendidos na hora de expressar o afeto; o primeiro deles é o que cada um entende sobre uma demonstração de amor legítima, esse entendimento pode variar muito de pessoa para pessoa e muitos não percebem essas diferenças. Alguns interpretam que demonstrar amor é dizer “eu te amo”, outros entendem que é comprando um presente, outros ainda pensam que é fazendo um jantar ou ajudando com as dificuldades práticas do dia, etc. Todos esses comportamentos demonstram afeto e consideração, e nenhum é mais importante e valoroso do que o outro. Tendemos a achar que a nossa ideia de amor é a mais valiosa e esperamos que o outro perceba e reconheça isso.

Pensar dessa forma leva a situações de conflito nas nossas relações. Quando demonstramos amor e olhamos para a demonstração do outro, através apenas da nossa perspectiva, não nos abrimos para a relação verdadeiramente. Para uns dizer que ama é suficiente, já para outros não significa muito, vale mais a atitude. Por isso é tão importante olhar para a pessoa respeitando que ela é diferente, possui uma outra história, veio de um contexto e de uma educação distintas, tão importante quanto a nossa. Isso auxilia na nossa interpretação, amplia nossa percepção e a compreensão das diferenças nas nossas relações.

Medo, autocrítica e acomodação.

Outra situação que impede a demonstração de amor é o medo da reação do outro. Mesmo casais que vivem juntos há muito tempo e se amam, evitam manifestar os sentimentos por receio da reação do parceiro. Claro que a reação de quem a gente ama interessa e influencia na relação, mas a demonstração de amor legítima deve falar mais sobre quem faz do que sobre quem recebe, deve atender os anseios de quem tem a atitude, ou seja, se eu quero demonstrar amor devo fazer porque tenho vontade, somente por isso. A reação da pessoa amada é importante, mas não deve ser o motivo principal, pois mesmo que eu fique triste porque o outro não reagiu da forma que imaginei, ter essa atitude foi uma escolha minha, mesmo com os riscos envolvidos, atendi, antes de tudo, a mim mesmo.

A autocrítica é também um obstáculo. Muitas pessoas não se permitem ter uma postura mais amorosa em suas relações, pois já estão tão acostumadas com uma determinada postura que não admitem mudar. Podem também se acomodar, é comum casais pensarem “já estamos juntos há tanto tempo que é obvio que nos amamos” justificando a falta de afeto no dia a dia. O que não é percebido é que a falta da demonstração de amor, aos poucos, vai afastando o casal e tornando o cotidiano rotineiro e distante.

Como mudar?

Saber demonstrar afeto traz muitas vantagens para a vida. Torna o cotidiano mais alegre, fortalece as nossas relações e por isso nos tornamos mais preparados para lidar com os problemas cotidianos, pois podemos contar com uma rede de apoio mais próxima e coesa.

Se você deseja ter um dia a dia mais amoroso, pode começar tomando algumas atitudes:

  • Perceba o outro. O que é valioso para ele? Um jantar? Uma companhia para ir ao cinema? Uma declaração de amor? Saia do senso comum e da sua perspectiva, descubra o que é significativo para a pessoa que você ama.

  • No caso dos amigos e da família, se torne mais presente. Ligue, convide para sair, pergunte o que a pessoa acha de tal situação, coloque o outro para participar de sua vida. Isso por si só já é uma grande demonstração de afeto e transmite a ideia de que quer o outro mais perto de você.

  • Tome a atitude por você, faça porque tem vontade, isso já é suficiente.

  • Continue, insista. Quando mudamos o comportamento repentinamente é natural que o outro estranhe e fique tentando entender o que significa essa nova atitude, por isso é importante continuar demonstrando até que isso se torne algo natural no dia a dia.

  • Retribua, elogie. Quando alguém fizer algo para você, retribua, diga que gostou, isso pode parecer óbvio, mas muita gente não retorna para o outro como se sentiu e não faz algo em retribuição. Ter essa atitude de reconhecimento aproxima e estimula a novas demonstrações.

Uma vida com constantes demonstrações de amor é uma vida mais feliz!

Marcela Pimenta Pavan é Psicóloga Clínica. Orientação Junguiana. Especialista em Família e Casal pela PUC-Rio. Trabalha com questões ligadas a relacionamentos, conflitos pessoais, ansiedade, depressão, carreira, envelhecimento, entre outras. Atendimento online: www.acaminhodamudanca.com.br. Consultório: Largo do Machado – R.J. Atendimento domiciliar. Contato: marcelapimentapavan@gmail.com 

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Quem tem vergonha de chorar?

Sorriso triste

Quando choramos há um transbordamento de emoções e isso pode acontecer por vários motivos. Podemos chorar de alegria por um sonho realizado, chorar de alívio quando passamos por uma situação difícil, chorar de dor, seja ela física ou emocional, chorar quando pedimos ou recebemos ajuda, chorar de tristeza… Seja qual for o motivo, e ás vezes nem sabemos qual é, o choro fala de algo que está transbordando em nós. É natural da espécie humana e existe há muito tempo, segundo o oftalmologista Juan Murube Del Castillo, da Universidade de Alcalá, em Madri, a hipótese mais plausível, é que o choro tenha surgido antes da linguagem falada, como uma expressão mímica para comunicar dor. Concluímos então que o choro surgiu com a função de comunicar e até hoje comunica, quando alguém está chorando sabemos automaticamente que algo saiu do controle e tendemos a dar mais atenção a isso. Se estamos andando na rua e alguém passa por nós chorando provavelmente não passará despercebido, chamará nossa atenção.

O choro também muitas vezes incomoda, principalmente quando está relacionado a tristeza, perda, morte, separação, depressão. É comum nos afligirmos com o choro, tanto quando nós choramos, principalmente em público, quanto quando presenciamos o choro de alguém, pois podemos não saber lidar com isso. Mas, se o choro existe há tanto tempo entre nós, porque o estranhamos?

Choro e vulnerabilidade

O choro muitas vezes é interpretado como uma demonstração de vulnerabilidade. Quando alguém chora se sente exposto na sua fragilidade, por isso muitas vezes as pessoas preferem buscar um lugar para chorar sozinhas. Outro ponto é a reação exagerada que o choro provoca nas pessoas em volta. Quem está chorando muitas vezes não quer causar toda essa reação, só busca expressar sua emoção com tranquilidade. Muitas vezes recebo no consultório pessoas que querem o seu momento de chorar e aproveitam o espaço da psicoterapia para isso, pois não se sentem a vontade para chorar em outros lugares ou com outras pessoas, mesmo que sejam amigos ou familiares.

Poder chorar é muito terapêutico. Quando encontramos espaço e compreensão no outro para esse momento importante, sem causar alarde ou julgamentos, isso gera um grande conforto e alívio, a pessoa sensibilizada pode pensar melhor e seguir mais tranquila depois de um momento assim. Ás vezes só de poder chorar um pouco  e colocar para fora as emoções represadas, a pessoa recupera o bem-estar.

No entanto o que acontece é que cada vez damos menos espaço para a expressão sincera das emoções. Quando alguém chora perto de nós o que geralmente dizemos? “Para com isso! Você é forte! Não pensa nisso! Limpa esse rosto! Logo isso passa! ”  Sem percebermos estamos a todo momento negando o choro e o sofrimento do outro e com isso não legitimamos o sentimento, não permitimos que algo natural em nós encontre espaço na vida. E porque fazemos isso? Porque temos medo, medo de algo sair do controle, medo do que pode vir com o choro e o sofrimento do outro, medo do nosso próprio choro e sofrimento. O que muitos de nós não sabemos é que as emoções encontram espaço para se expressar quer a gente dê permissão ou não. Isso significa que se eu “engulo o choro” em um momento, em outro momento essa emoção vai buscar uma forma de aparecer, seja numa dor de garganta ou na agressividade com alguém próximo. Achamos que ao evitarmos o choro estamos evitando a emoção, mas não é assim que funciona.

Como podemos mudar isso?

O choro quando é apenas uma forma de conseguir atenção e para que o outro resolva o nosso problema é, sem dúvida, um comportamento imaturo. Quando crescemos desenvolvemos recursos mais eficientes para lidar com as dificuldades e é importante que isso aconteça, pois demonstra amadurecimento e melhora a qualidade de vida. Porém, todos nós somos afetados por emoções, independentemente da idade, e é natural que algumas vezes as emoções nos tome por completo levando-nos às lágrimas. Quando isso acontecer com você lembre-se que o choro é uma reação natural e que ajuda na liberação da tensão emocional. Se permita também olhar para essa emoção, perceber o que está por trás dela, busque uma forma de expressá-la sem se auto punir por isso.

Sem alguém chorar perto de você, ofereça o ombro, um lencinho de papel, um olhar compreensivo, um abraço. Escute, espere, reconheça e, se for necessário, diga “pode chorar, eu entendo” ou ” estou aqui com você, fique a vontade pra deixar vir o que quiser” . Essa é uma ação que, além de bela, é extremamente terapêutica e que colabora com um mundo mais tolerante com as emoções, seja elas quais forem. Não somos tão racionais quanto pensamos, somos movidos pela emoção e buscamos por isso. Deixar que as emoções transpareçam em nós é sermos mais tolerantes e humanos conosco e com o mundo.

Marcela Pimenta Pavan é Psicóloga Clínica. Orientação Junguiana. Especialista em Família e Casal pela PUC-Rio. Trabalha com questões ligadas a relacionamentos, conflitos pessoais, ansiedade, depressão, carreira, envelhecimento, entre outras. Atendimento online: www.acaminhodamudanca.com.br. Consultório: Largo do Machado – R.J. Atendimento domiciliar. Contato: marcelapimentapavan@gmail.com 
Referências: Matéria “Porque choramos?” publicada na Revista Super interessante. Link: http://super.abril.com.br/comportamento/por-que-choramos
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