Precisamos falar sobre o suicídio

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* Por: Viviane Lajter Segal

De acordo com dados da Associação Brasileira de Psiquiatria 17% da população brasileira já pensou, em algum momento, em tirar a própria vida. Todo ano são registrados cerca de 10 mil suicídios no Brasil e um milhão no mundo todo. Por causa desses números alarmantes o suicídio se tornou uma epidemia. Porém, é uma epidemia silenciosa, pois existe um tabu muito grande da sociedade em falar sobre o assunto, discutir possibilidades de evitação e mesmo de assumir que um ente querido tenha terminado com a própria vida.

Quebrando tabus

Na maior parte das vezes aquele que se suicida avisa de alguma forma, e mais de uma vez, antes de cometer o ato. Porém, há uma descrença das pessoas próximas. Geralmente acreditam que a pessoa está querendo apenas chamar a atenção, ou que “quem quer se matar de verdade não avisa, simplesmente se mata.” Pensamentos completamente enganados!

A ideia de acabar com a própria vida não é corriqueira e não podemos considerar que seja algo natural em algum momento da vida. Por isso, quando alguém chega a verbalizar a vontade de se matar, é importante que familiares e pessoas próximas fiquem atentos ao invés de desdenhar e deixar o assunto de lado. Além da descrença e do preconceito sobre o assunto, há também um real despreparo da sociedade com o problema.

O que fazer?

O que fazer quando uma pessoa querida cogita a ideia de acabar com a própria vida? Buscar ajuda profissional e nunca duvidar! Os profissionais capacitados para lidar com essa situação são o psicólogo e um médico psiquiatra. Juntamente com essa rede profissional é imprescindível que haja um apoio familiar que suporte esse momento de angústia tão forte.

Aspectos psicológicos

A grande maioria daqueles que já pensaram alguma vez em tirar a própria vida apresenta algum tipo de adoecimento mental que o leva a acreditar que essa seja a melhor solução para acabar com o sofrimento gerado e por todo estigma que isso carrega. As doenças mentais mais comuns são depressão, bipolaridade e esquizofrenia.

Existem também outras circunstâncias da vida em que a possibilidade de ideação suicida é maior, como: pessoas enlutadas (principalmente em idosos), abuso de álcool e drogas, pessoas que sofreram maus tratos ou abuso sexual na infância e o desamparo. São situações em que a angústia e o desespero são tão intensos que a pessoa não suporta sentir.

Geralmente o processo de angústia e desespero vai crescendo aos poucos. A pessoa começa a se isolar, a evitar situações que antes eram prazerosas e pode até começar a ter dificuldades na realização das tarefas diárias como ir trabalhar, por exemplo. Nesse movimento, não se consegue perceber racionalmente o motivo de tamanho desespero, pois “tenho tudo que alguém gostaria de ter” e, com isso, a vergonha e a culpa de estar se sentindo mal apesar “de estar tudo bem perante os olhos dos outros” faz com que ela se feche e se isole ainda mais. A pessoa sente muita vergonha de conversar e de pedir ajuda, dessa forma, os sintomas tendem a piorar.

Viver

Existem sim outras saídas! O apoio e o afeto das pessoas próximas são fundamentais. A psicoterapia se torna um espaço fundamental em que essa pessoa pode trabalhar os seus fantasmas e os medos mais profundos e perceber que existem outras formas de viver apesar daquilo que lhe aconteceu. A medicação, receitada por médico psiquiatra, também se torna um aliado imprescindível para permitir que a angústia e a ansiedade diminuam um pouco e, no caso das doenças mentais, que seja realizado o tratamento devido.

A vida é complexa e repleta de altos e baixos. Mas, precisa ser vivida da forma mais leve possível. Mesmo quando desacreditamos ou algo nos parece maior que as nossas forças são capazes de suportar, sempre há uma saída! Acredite e não tenha vergonha! Peça ajuda para conseguir transformar as dificuldades em algo menos doloroso e mais suave.

Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas sim de que você não

está sozinho nessa jornada.

Seja feliz!

-Para ler mais sobre o assunto acesse: Suicídio: Informando para prevenir

 

*Por:  Viviane Lajter Segal, psicóloga clínica,CRP 05/41087. Atendimento  de adultos, idosos, casais e famílias.  Especialista em terapia de casal e família, PUC-Rio. Consultórios em Copacabana e Barra da Tijuca, RJ. Atendimento online A Caminho da Mudança. Contato: viviane@lajter.net

 

 

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Como demonstrar amor no dia a dia.

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*por Marcela Pimenta Pavan

Quando se fala em demonstrar amor muitos relacionam ao ato de falar “eu te amo”, mas as demonstrações de afeto vão muito além, dizer que ama é só uma das formas de expressão e para muitos não é uma situação fácil. No dia a dia temos várias oportunidades de manifestar nossos sentimentos, mas muitas vezes evitamos com medo da reação do outro ou por conta da nossa autocrítica.

Há muitos mal entendidos na hora de expressar o afeto; o primeiro deles é o que cada um entende sobre uma demonstração de amor legítima, esse entendimento pode variar muito de pessoa para pessoa e muitos não percebem essas diferenças. Alguns interpretam que demonstrar amor é dizer “eu te amo”, outros entendem que é comprando um presente, outros ainda pensam que é fazendo um jantar ou ajudando com as dificuldades práticas do dia, etc. Todos esses comportamentos demonstram afeto e consideração, e nenhum é mais importante e valoroso do que o outro. Tendemos a achar que a nossa ideia de amor é a mais valiosa e esperamos que o outro perceba e reconheça isso.

Pensar dessa forma leva a situações de conflito nas nossas relações. Quando demonstramos amor e olhamos para a demonstração do outro, através apenas da nossa perspectiva, não nos abrimos para a relação verdadeiramente. Para uns dizer que ama é suficiente, já para outros não significa muito, vale mais a atitude. Por isso é tão importante olhar para a pessoa respeitando que ela é diferente, possui uma outra história, veio de um contexto e de uma educação distintas, tão importante quanto a nossa. Isso auxilia na nossa interpretação, amplia nossa percepção e a compreensão das diferenças nas nossas relações.

Medo, autocrítica e acomodação.

Outra situação que impede a demonstração de amor é o medo da reação do outro. Mesmo casais que vivem juntos há muito tempo e se amam, evitam manifestar os sentimentos por receio da reação do parceiro. Claro que a reação de quem a gente ama interessa e influencia na relação, mas a demonstração de amor legítima deve falar mais sobre quem faz do que sobre quem recebe, deve atender os anseios de quem tem a atitude, ou seja, se eu quero demonstrar amor devo fazer porque tenho vontade, somente por isso. A reação da pessoa amada é importante, mas não deve ser o motivo principal, pois mesmo que eu fique triste porque o outro não reagiu da forma que imaginei, ter essa atitude foi uma escolha minha, mesmo com os riscos envolvidos, atendi, antes de tudo, a mim mesmo.

A autocrítica é também um obstáculo. Muitas pessoas não se permitem ter uma postura mais amorosa em suas relações, pois já estão tão acostumadas com uma determinada postura que não admitem mudar. Podem também se acomodar, é comum casais pensarem “já estamos juntos há tanto tempo que é obvio que nos amamos” justificando a falta de afeto no dia a dia. O que não é percebido é que deixar de demonstrar amor, aos poucos vai afastando o casal e tornando o cotidiano da relação rotineiro e distante.

Como mudar?

Saber demonstrar afeto traz muitas vantagens para a vida. Tornam o cotidiano mais alegre, fortalecem nossas relações e por isso nos tornamos mais preparados para lidar com os problemas cotidianos, pois podemos contar com uma rede de apoio mais próxima e coesa.

Se você deseja ter um dia a dia mais amoroso, pode começar tomando algumas atitudes:

  • Perceba o outro. O que é valioso para ele? Um jantar? Uma companhia para ir ao cinema? Uma declaração de amor? Saia do senso comum e da sua perspectiva, descubra o que é significativo para a pessoa que você ama.

  • No caso dos amigos e da família, se torne mais presente. Ligue, convide para sair, pergunte o que a pessoa acha de tal situação, coloque o outro para participar de sua vida. Isso por si só já é uma grande demonstração de afeto e transmite a ideia de que quer o outro mais perto de você.

  • Tome a atitude por você, faça porque tem vontade, isso já é suficiente.

  • Continue, insista. Quando mudamos o comportamento repentinamente é natural que o outro estranhe e fique tentando entender o que significa essa nova atitude, por isso é importante continuar demonstrando até que isso se torne algo natural no dia a dia.

  • Retribua, elogie. Quando alguém fizer algo para você, retribua, diga que gostou, isso pode parecer óbvio, mas muita gente não retorna para o outro como se sentiu e não faz algo em retribuição. Ter essa atitude de reconhecimento aproxima e estimula a novas demonstrações.

Uma vida com constantes demonstrações de amor é uma vida mais feliz!

Marcela Pimenta Pavan é Psicóloga Clínica. Orientação Junguiana. Especialista em Família e Casal pela PUC-Rio. Trabalha com questões ligadas a relacionamentos, conflitos pessoais, ansiedade, depressão, carreira, envelhecimento, entre outras. Atendimento online: www.acaminhodamudanca.com.br. Consultório: Largo do Machado – R.J. Atendimento domiciliar. Contato: marcelapimentapavan@gmail.com 

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Quem tem vergonha de chorar?

Sorriso triste

Quando choramos há um transbordamento de emoções e isso pode acontecer por vários motivos. Podemos chorar de alegria por um sonho realizado, chorar de alívio quando passamos por uma situação difícil, chorar de dor, seja ela física ou emocional, chorar quando pedimos ou recebemos ajuda, chorar de tristeza… Seja qual for o motivo, e ás vezes nem sabemos qual é, o choro fala de algo que está transbordando em nós. É natural da espécie humana e existe há muito tempo, segundo o oftalmologista Juan Murube Del Castillo, da Universidade de Alcalá, em Madri, a hipótese mais plausível, é que o choro tenha surgido antes da linguagem falada, como uma expressão mímica para comunicar dor. Concluímos então que o choro surgiu com a função de comunicar e até hoje comunica, quando alguém está chorando sabemos automaticamente que algo saiu do controle e tendemos a dar mais atenção a isso. Se estamos andando na rua e alguém passa por nós chorando provavelmente não passará despercebido, chamará nossa atenção.

O choro também muitas vezes incomoda, principalmente quando está relacionado a tristeza, perda, morte, separação, depressão. É comum nos afligirmos com o choro, tanto quando nós choramos, principalmente em público, quanto quando presenciamos o choro de alguém, pois podemos não saber lidar com isso. Mas, se o choro existe há tanto tempo entre nós, porque o estranhamos?

Choro e vulnerabilidade

O choro muitas vezes é interpretado como uma demonstração de vulnerabilidade. Quando alguém chora se sente exposto na sua fragilidade, por isso muitas vezes as pessoas preferem buscar um lugar para chorar sozinhas. Outro ponto é a reação exagerada que o choro provoca nas pessoas em volta. Quem está chorando muitas vezes não quer causar toda essa reação, só busca expressar sua emoção com tranquilidade. Muitas vezes recebo no consultório pessoas que querem o seu momento de chorar e aproveitam o espaço da psicoterapia para isso, pois não se sentem a vontade para chorar em outros lugares ou com outras pessoas, mesmo que sejam amigos ou familiares.

Poder chorar é muito terapêutico. Quando encontramos espaço e compreensão no outro para esse momento importante, sem causar alarde ou julgamentos, isso gera um grande conforto e alívio, a pessoa sensibilizada pode pensar melhor e seguir mais tranquila depois de um momento assim. Ás vezes só de poder chorar um pouco  e colocar para fora as emoções represadas, a pessoa recupera o bem-estar.

No entanto o que acontece é que cada vez damos menos espaço para a expressão sincera das emoções. Quando alguém chora perto de nós o que geralmente dizemos? “Para com isso! Você é forte! Não pensa nisso! Limpa esse rosto! Logo isso passa! ”  Sem percebermos estamos a todo momento negando o choro e o sofrimento do outro e com isso não legitimamos o sentimento, não permitimos que algo natural em nós encontre espaço na vida. E porque fazemos isso? Porque temos medo, medo de algo sair do controle, medo do que pode vir com o choro e o sofrimento do outro, medo do nosso próprio choro e sofrimento. O que muitos de nós não sabemos é que as emoções encontram espaço para se expressar quer a gente dê permissão ou não. Isso significa que se eu “engulo o choro” em um momento, em outro momento essa emoção vai buscar uma forma de aparecer, seja numa dor de garganta ou na agressividade com alguém próximo. Achamos que ao evitarmos o choro estamos evitando a emoção, mas não é assim que funciona.

Como podemos mudar isso?

O choro quando é apenas uma forma de conseguir atenção e para que o outro resolva o nosso problema é, sem dúvida, um comportamento imaturo. Quando crescemos desenvolvemos recursos mais eficientes para lidar com as dificuldades e é importante que isso aconteça, pois demonstra amadurecimento e melhora a qualidade de vida. Porém, todos nós somos afetados por emoções, independentemente da idade, e é natural que algumas vezes as emoções nos tome por completo levando-nos às lágrimas. Quando isso acontecer com você lembre-se que o choro é uma reação natural e que ajuda na liberação da tensão emocional. Se permita também olhar para essa emoção, perceber o que está por trás dela, busque uma forma de expressá-la sem se auto punir por isso.

Sem alguém chorar perto de você, ofereça o ombro, um lencinho de papel, um olhar compreensivo, um abraço. Escute, espere, reconheça e, se for necessário, diga “pode chorar, eu entendo” ou ” estou aqui com você, fique a vontade pra deixar vir o que quiser” . Essa é uma ação que, além de bela, é extremamente terapêutica e que colabora com um mundo mais tolerante com as emoções, seja elas quais forem. Não somos tão racionais quanto pensamos, somos movidos pela emoção e buscamos por isso. Deixar que as emoções transpareçam em nós é sermos mais tolerantes e humanos conosco e com o mundo.

Marcela Pimenta Pavan é Psicóloga Clínica. Orientação Junguiana. Especialista em Família e Casal pela PUC-Rio. Trabalha com questões ligadas a relacionamentos, conflitos pessoais, ansiedade, depressão, carreira, envelhecimento, entre outras. Atendimento online: www.acaminhodamudanca.com.br. Consultório: Largo do Machado – R.J. Atendimento domiciliar. Contato: marcelapimentapavan@gmail.com 
Referências: Matéria “Porque choramos?” publicada na Revista Super interessante. Link: http://super.abril.com.br/comportamento/por-que-choramos
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Fugindo do amor: a dificuldade de se relacionar nos tempos atuais.

fugindo do amor*por Marcela Pimenta Pavan

Duas pessoas se encontram, se sentem atraídas uma pela outra, se conhecem, gostam da conversa, da troca, “ficam” por um dia, dois, semanas e quando tudo parece ir bem, caminhando para uma relação mais estável, uma das partes se afasta e some. Muitas pessoas já viram isso acontecer com pessoas próximas ou já passaram por essa situação.

A ruptura quando acontece de uma forma distante, pela rede social ou sem muitas explicações e sem motivos claros, pode deixar na outra pessoa algumas marcas. Muitas perguntas ficam sem respostas e esse silêncio dá margem para que várias inseguranças surjam. A pergunta “o que será que eu fiz de errado? ” soa cada vez mais forte no imaginário, trazendo angústia e tristeza.  No consultório é frequente o número de homens e mulheres inseguros em relação ao seu próprio valor, com medo da rejeição e do abandono. E isso tende a ser uma bola de neve, quanto mais inseguro, mais medo de se relacionar e se abrir verdadeiramente para uma relação.

Por que isso acontece?

Diferentemente de antigamente, hoje em dia temos acesso a muitas coisas de forma rápida e descartável, como comida, fotografia, vídeo, roupas, etc. Usufruímos das coisas sem precisar esperar muito ou se esforçar demasiadamente para tê-las. Nesse contexto muitas vezes acabamos transferindo esse comportamento também para as nossas relações. Quem aborda bem esse assunto é o sociólogo Zygmunt Bauman, que aponta a fragilidade das relações afetivas atuais. As relações terminam tão rápido quanto começam, as pessoas pensam terminar com um problema cortando seus vínculos, mas o que fazem mesmo é criar problemas em cima de problemas.

A proximidade entre duas pessoas sugere que haverá um relacionamento estável e isso pode incomodar, porque o compromisso exige um esforço real, uma capacidade de lidar com o momento pós-excitação da novidade. Quando nos compromissamos com algo significa que nos importamos com a outra pessoa, que estamos juntos em várias situações, que iremos conhecer os amigos e a família, ou seja, precisaremos nos doar e nos envolver de verdade com o outro, num relacionamento real, com rotina, desagrados e alegrias.

Uma relação também indica que em algum momento teremos que entregar uma parte nossa ao outro e essa parte não temos como controlar, é preciso confiar, confiar que o outro não vai me abandonar, que vai me respeitar, vai ser leal, vai querer o meu bem. Esse momento pode ser muito difícil porque não há garantias que um relacionamento dará certo ou não, e isso é da natureza das relações, só se sabe vivendo.

O compromisso sugere principalmente o amadurecimento, só quando nos compromissamos com algo verdadeiramente, seja no trabalho, na família, no amor, é que construímos alguma coisa, é que crescemos realmente.

As relações amorosas são um grande exercício para o amadurecimento pessoal, quando gostamos de alguém temos que nos esforçar para entender a pessoa que amamos, sair da nossa perspectiva e olhar um pouco pela perspectiva do outro, encontrar soluções diferentes para os conflitos, fazer acordos, aceitar o que não aceitaríamos há um mês. Tudo isso contribui para o nosso desenvolvimento pessoal e emocional.

Por um mundo mais afetivo.

As relações, além do amadurecimento, trazem prazer à vida. Amar e se sentir amado, poder compartilhar as boas e más experiências fazem muito bem ao ser humano, trazem a sensação de segurança e bem-estar.  Segundo Martin Seligman, psicólogo e um dos grandes autores da Psicologia Positiva, o casamento está intimamente ligado à felicidade. Os casados se sentem mais amparados e as pessoas felizes são mais predispostas a se casar e a manter o relacionamento. Além disso, as relações trazem também benefícios a saúde, um estudo realizado pelo Hamad Medical Corporation – Heart Hospital, demonstrou que, mesmo em pessoas jovens, ter um relacionamento estável leva homens e mulheres a adotarem hábitos mais saudáveis.

Tudo isso prova que manter relações estáveis e saudáveis fazem bem e promovem a felicidade. Quando há a vontade genuína de se relacionar é preciso entender as barreiras conscientes e inconscientes que impedem um relacionamento real. Às vezes construímos crenças no passado que nos atrapalham hoje, fatores inconscientes podem estar atuando na nossa vida, é preciso querer entende-los e ressignificá-los.

O processo do autoconhecimento é fundamental para mudarmos padrões que não servem mais e nos abrirmos para as mudanças que desejamos. A psicoterapia pode ser uma importante aliada nesse processo, pois ajuda a nos tornarmos mais flexíveis e mais generosos  conosco, construindo uma vida com mais amor e bem-estar.

Marcela Pimenta Pavan é Psicóloga Clínica. Especialista em Família e Casal pela PUC-Rio. Trabalha com questões ligadas a relacionamentos, conflitos pessoais, ansiedade, carreira, envelhecimento, entre outras. Atendimento online: www.acaminhodamudanca.com.br. Consultório: Largo do Machado – R.J. Atendimento domiciliar. Contato: marcelapimentapavan@gmail.com
Fontes:
BAUMAN, Zygmunt – Amor Líquido: Sobre A Fragilidade Dos Laços Humanos
http://lounge.obviousmag.org/de_dentro_da_cartola/2013/11/zygmunt-bauman-vivemos-tempos-liquidos-nada-e-para-durar.html
http://socerj.org.br/beneficios-do-amor-para-o-coracao/
https://grupopapeando.wordpress.com/2008/08/28/entrevista-martin-seligman-o-doutor-felicidade/

Escrito por Marcela Pimenta Pavan todos os direitos reservados.

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Auto boicote: quem te impede de ser feliz?

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                                                                                                                      *Por: Viviane Lajter Segal

Sucesso profissional, felicidade ao lado de um companheiro, leveza ao lidar com o dia a dia são coisas desejadas por todos, certo? Nem sempre! A realização de um sonho, seja ele profissional, pessoal ou afetivo, assusta e provoca medo em mais pessoas do que podemos imaginar. Gera mudanças na vida o que, para muitos, é assustador e até paralisante.

Você já percebeu se existe alguma área na sua vida em que os seus comportamentos se repetem e que logo depois vem aquela sensação de que você poderia ter feito algo diferente para ter um resultado melhor? Podemos citar vários exemplos disso: Pessoas que quando começam a gostar de alguém fantasiam motivos para brigar e desgastar a relação; ou quando você está prestes a conseguir o emprego desejado, se atrasa para a entrevista; ou quando começa a emagrecer volta a comer muito e a engordar novamente. Será que é sempre falta de sorte ou coincidência? Provavelmente não! Trata-se de auto sabotagem ou auto boicote e são situações bastante comuns e, muitas vezes, difíceis de controlar.

O boicote ocorre quando nos prejudicamos em alguma área da vida, para dificultar ou impedir uma melhoria em nossas vidas. É um processo inconsciente, o que significa que não nos damos conta do que fazemos, apenas repetimos o comportamento de forma automática sem ter nenhum controle sobre nossas atitudes.

Por que isso acontece?

As nossas histórias e o meio em que vivemos, desde muito pequenos, são grandes responsáveis pela formação da nossa personalidade e também dos nossos traumas e medos. Carregamos essas marcas ao longo da vida sem sequer percebermos ou pararmos para refletir.

Alguns aspectos psicológicos podem ser observados naquele que se sabota. Geralmente possui uma forma deturpada de se ver, se considera diminuído frente aos outros, como se não fosse merecedor de ter uma vida melhor. Pode existir uma importante baixa na autoestima que, consequentemente, gera uma insegurança profunda.

O medo de fracassar e de não dar conta das próprias expectativas também costuma ser uma grande armadilha na realização de um sonho. Esse medo se torna tão grande que a pessoa prefere não se arriscar e nem tentar alcançar algum objetivo. Como são processos inconscientes e automáticos, quando a pessoa se dá conta a oportunidade já passou e o sonho não se concretizou.

Como sair desse ciclo?

Um primeiro passo e, muito importante, é parar e se observar. Refletir se há alguma questão que repetidamente não dá certo na sua vida e se você tem alguma responsabilidade nisso.

Uma estratégia interessante é conversar com um bom amigo, ele pode ser a pessoa que vai te sinalizar quando os comportamentos automáticos se repetirem e, dessa forma, te alertar em relação ao auto boicote. Aceite ajuda! Às vezes é somente isso que você precisa para conseguir ultrapassar os próprios obstáculos. É muito importante que, aos poucos, isso se torne consciente e que você consiga perceber se a história que está sendo traçada da sua vida é a realmente desejada.

Em determinadas situações se conscientizar de algo e modificá-lo pode ser muito difícil gerando uma paralisia ou uma ansiedade muito forte. Nesse caso é recomendável procurar um psicólogo para dar início ao processo psicoterapêutico de autoconhecimento, para que juntos você possa se libertar das suas próprias prisões.

Não permita que o medo ou a insegurança te paralise na busca de novos desafios e na realização dos seus sonhos. Viver é correr riscos, é se lançar nas oportunidades, pois somente assim é possível se libertar e ser feliz!

Viviane Lajter Segal é Psicóloga Clínica. Especialista em Família e Casal pela PUC-Rio. Trabalha com questões ligadas a relacionamentos, conflitos pessoais, ansiedade, carreira, envelhecimento, entre outras. Atendimento online: www.acaminhodamudanca.com.br.  Consultórios: Copacabana e Barra da Tijuca – R.J. Atendimento domiciliar. Contato: viviane@lajter.net
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Quando a ansiedade passa dos limites.

ansiedade

*por Marcela Pimenta Pavan

Ansiedade excessiva causa falta de ar, inquietação, palpitação. Sintomas cada vez mais frequentes nos consultórios psicológicos e médicos.

A maior parte das pessoas que sentem intensamente esses sintomas, buscam a emergência médica na busca de uma resposta para a pergunta: “ O que está acontecendo comigo? ”. Só que apesar dos sintomas físicos, nem sempre essa resposta se apresenta nos exames de saúde.

A ansiedade e o estresse têm a função positiva de colocar o nosso corpo em estado de alerta para enfrentar ou fugir de uma situação ameaçadora. Porém, hoje em dia vivemos constantemente na expectativa que algo ruim pode nos acontecer e, por isso, a necessidade de precaução sempre. Isso quer dizer que colocamos o nosso mecanismo biológico de alerta em ação o tempo inteiro, independentemente de uma ameaça real estar acontecendo. O resultado é um número cada vez maior de pessoas que não conseguem desconectar, relaxar, dormir adequadamente e se sentem esgotados na maior parte do tempo.

O que nos leva a esse estado?

São vários os fatores externos e internos que, associados, podem nos levar a uma condição de desequilíbrio. Um fator que contribui para esse estado de alerta constante é a quantidade de informações que consumimos diariamente. Estamos sempre lendo notícias e textos rápidos, seja na rede social, na televisão, nas revistas, etc. Muitas dessas informações nos passam situações problemáticas e a mensagem do quanto precisamos ficar alertas para não sermos assaltados, para evitarmos acidentes conosco e com quem amamos, para garantir o emprego e a promoção desejada, etc. Claro que a informação pode nos ajudar, mas absorver todas essas mensagens sem questionar, reforça a ideia de que precisamos estar alertas e no controle o tempo todo para garantirmos a nossa segurança e o sucesso naquilo que desejamos.

Além disso, alguns aspectos psicológicos podem reforçar o comportamento de que é fundamental estar sempre alerta, por isso é importante pensarmos em como nós fomos aprendendo a lidar com as ameaças durante a vida. Desde pequenos passamos por situações desafiadoras, e se, repetidamente, nos sentíamos desprotegidos, pelos nossos pais ou cuidadores, isso nos marcou e contribuiu para formarmos uma ideia inconsciente de que precisamos nos manter alertas constantemente para garantir a nossa segurança e a segurança das pessoas que amamos.

Sem dúvida, esses comportamentos já nos ajudaram em muitas situações, e é por isso que internalizamos tão fortemente, mas é importante se fazer a pergunta: e hoje? Isso me ajuda de fato ou me atrapalha? Essas crenças cristalizadas ao longo da vida acabam nos deixando inseguros e dando a falsa ideia de que se controlarmos tudo podemos finalmente garantir a tranquilidade e descansar. O que acontece, porém, é que a nossa mente acaba se programando não para o que pode dar certo, mas, exclusivamente para tudo que pode dar errado, afim de nos preparar para as possíveis dificuldades. Calculamos tudo, “ e se o transito estiver ruim e eu me atrasar para a reunião? ”. “E se eu não conseguir falar nada na minha apresentação? ”. ”E se o avião não decolar? ”. São tantas as possibilidades negativas, que nos conectamos só com os problemas e o nosso corpo reage, numa tentativa de nos alertar e nos ajudar a equilibrar melhor os pensamentos e sentimentos.

Como lidar com isso?

Há vários caminhos para lidarmos melhor com as situações de estresse, e todas passam pelo autoconhecimento. Saber o que dispara o estresse em nós é parte da solução. A psicoterapia associada a atividades de relaxamento e meditação é um ótimo caminho.

Além disso, é preciso desconstruir algumas ideias cristalizadas em nós, como aprender a confiar na vida e aceitar que ela vai seguir seu curso, quer estejamos no controle total ou não. Isso quer dizer que é fundamental fazermos a nossa parte, mas que ela não é garantia plena do sucesso, outros fatores podem interferir nos nossos planos e mudar o curso da vida, e é importante pensar a respeito, aceitar e perceber se há algo a aprender com isso. Outra mudança importante é voltar o olhar para aquilo que também dá certo e muitas vezes de uma forma inesperada, reconhecendo os pequenos gestos que acontecem diariamente. Uma gentileza de alguém desconhecido, um telefonema de um amigo distante, um elogio, pequenas coisas que podem tornar o nosso dia mais agradável.  Reconhecer que o cotidiano também tem o seu lado bom, torna a vida mais leve e nos ajuda a confiar e descansar um pouco das nossas angústias, renovando a fé e o nosso bem-estar.

Marcela Pimenta Pavan é Psicóloga Clínica. Especialista em Família e Casal pela PUC-Rio. Trabalha com questões ligadas a relacionamentos, conflitos pessoais, ansiedade, carreira, envelhecimento, entre outras. Atendimento online: www.acaminhodamudanca.com.br. Consultório: Largo do Machado – R.J. Atendimento domiciliar. Contato: marcelapimentapavan@gmail.com
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Você sabe pedir ajuda?

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*por Marcela Pimenta Pavan

Parece simples pedir ajuda, mas muitas pessoas resistem a isso. Pedir ajuda pode representar não só assumir a própria fragilidade, como a exposição dessa fragilidade para outras pessoas. Muitos não querem isso, é incômodo aceitar a própria fragilidade em um mundo feito para fortes.

Além disso, pessoas aparentemente fortes, ou que se percebem mais predispostas a ajudar do que receber ajuda, podem ter dificuldades em trocar de papel e aceitar auxílio. A falta de flexibilidade pode levar a uma sobrecarga de tarefas e, no íntimo, muitos dos que ajudam desejam ser retribuídos,  querem receber ajuda para aliviar a carga.

Vejo na prática que pessoas aparentemente mais frágeis e que pedem ajuda com mais naturalidade, por muitas vezes se restabelecem e superam desafios mais rapidamente do que pessoas aparentemente mais fortes e que resistem a solicitar auxílio.

O que ganhamos quando pedimos ajuda.

Todo mundo precisa de ajuda em algum momento da vida, não existe ninguém que não precise de socorro ao longo da caminhada, o que acontece é que nem sempre pedimos ou aceitamos. Às vezes, as pessoas que nos querem bem percebem a nossa necessidade e se aproximam, mas se não admitimos a necessidade de apoio, podemos desperdiçar esses valiosos recursos que a vida nos dá.

Pedir ajuda, em quaisquer situações da vida: no trabalho, na saúde, na família, pode trazer grande alívio. Podemos dividir o fardo de algumas situações e não precisar “carregar” tudo sozinho, nos permite ouvir palavras acolhedoras, encontrar novas formas de enfrentar uma situação que aparentemente não tem saída, ganhar novo ânimo, receber um ombro para descansar nossas preocupações e superar desafios.

Quando pedir ajuda

Primeiro perceba a si mesmo. Se já empregou todas as suas possibilidades e não conseguiu mais caminhar sozinho em determinado assunto, é hora de fazer esse gesto de generosidade consigo mesmo e pedir ajuda.

Nesse caminho podemos contar com vários tipos de ajuda, algumas delas são:

– A ajuda no plano pessoal: buscar amigos e familiares de confiança, que querem o nosso bem e que poderão nos ouvir com atenção e carinho.

– A ajuda profissional, é um apoio fundamental pois há muitos profissionais que estudam e são mais preparados para lidar com questões difíceis, como psicólogos e médicos. Busque boas indicações e sempre perceba qual a sua impressão diante do profissional que o atende. A relação de bem-estar e confiança com um profissional é fundamental para o sucesso no enfrentamento das situações difíceis.

– A ajuda espiritual, para aqueles que acreditam em algo maior, estar conectado com a sua espiritualidade, seja ela qual for, ajuda muito no processo. Já foram comprovados, através de estudos, que a fé é um importante aliado na superação das dificuldades da vida. (leia A fé que supera traumas)

O ideal é contar com o máximo de auxílio possível, nos diferentes campos disponíveis.

Saber o momento de pedir ajuda, e não ter vergonha em fazê-lo, é fundamental para a nossa saúde psíquica, mostra que reconhecemos o nosso limite e que podemos fazer alguma coisa de bom por nós mesmos. Aceitar ajuda é tornar a vida mais humana e leve.

*Marcela Pimenta Pavan, psicóloga clínica, CRP 05/41841. Atendimento: online no site acaminhodamudança e consultório no Largo do Machado/R.J. Contato: marcelapimentapavan@gmail.com
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