Você sabe pedir ajuda?

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*por Marcela Pimenta Pavan

Parece simples pedir ajuda, mas muitas pessoas resistem a isso. Pedir ajuda pode representar não só assumir a própria fragilidade, como a exposição dessa fragilidade para outras pessoas. Muitos não querem isso, é incômodo aceitar a própria fragilidade em um mundo feito para fortes.

Além disso, pessoas aparentemente fortes, ou que se percebem mais predispostas a ajudar do que receber ajuda, podem ter dificuldades em trocar de papel e aceitar auxílio. A falta de flexibilidade pode levar a uma sobrecarga de tarefas e, no íntimo, muitos dos que ajudam desejam ser retribuídos,  querem receber ajuda para aliviar a carga.

Vejo na prática que pessoas aparentemente mais frágeis e que pedem ajuda com mais naturalidade, por muitas vezes se restabelecem e superam desafios mais rapidamente do que pessoas aparentemente mais fortes e que resistem a solicitar auxílio.

O que ganhamos quando pedimos ajuda.

Todo mundo precisa de ajuda em algum momento da vida, não existe ninguém que não precise de socorro ao longo da caminhada, o que acontece é que nem sempre pedimos ou aceitamos. Às vezes, as pessoas que nos querem bem percebem a nossa necessidade e se aproximam, mas se não admitimos a necessidade de apoio, podemos desperdiçar esses valiosos recursos que a vida nos dá.

Pedir ajuda, em quaisquer situações da vida: no trabalho, na saúde, na família, pode trazer grande alívio. Podemos dividir o fardo de algumas situações e não precisar “carregar” tudo sozinho, nos permite ouvir palavras acolhedoras, encontrar novas formas de enfrentar uma situação que aparentemente não tem saída, ganhar novo ânimo, receber um ombro para descansar nossas preocupações e superar desafios.

Quando pedir ajuda

Primeiro perceba a si mesmo. Se já empregou todas as suas possibilidades e não conseguiu mais caminhar sozinho em determinado assunto, é hora de fazer esse gesto de generosidade consigo mesmo e pedir ajuda.

Nesse caminho podemos contar com vários tipos de ajuda, algumas delas são:

– A ajuda no plano pessoal: buscar amigos e familiares de confiança, que querem o nosso bem e que poderão nos ouvir com atenção e carinho.

– A ajuda profissional, é um apoio fundamental pois há muitos profissionais que estudam e são mais preparados para lidar com questões difíceis, como psicólogos e médicos. Busque boas indicações e sempre perceba qual a sua impressão diante do profissional que o atende. A relação de bem-estar e confiança com um profissional é fundamental para o sucesso no enfrentamento das situações difíceis.

– A ajuda espiritual, para aqueles que acreditam em algo maior, estar conectado com a sua espiritualidade, seja ela qual for, ajuda muito no processo. Já foram comprovados, através de estudos, que a fé é um importante aliado na superação das dificuldades da vida. (leia A fé que supera traumas)

O ideal é contar com o máximo de auxílio possível, nos diferentes campos disponíveis.

Saber o momento de pedir ajuda, e não ter vergonha em fazê-lo, é fundamental para a nossa saúde psíquica, mostra que reconhecemos o nosso limite e que podemos fazer alguma coisa de bom por nós mesmos. Aceitar ajuda é tornar a vida mais humana e leve.

*Marcela Pimenta Pavan, psicóloga clínica, CRP 05/41841. Atendimento: online no site acaminhodamudança e consultório no Largo do Machado/R.J. Contato: marcelapimentapavan@gmail.com
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Como você lida com aquilo que não controla?

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*por Marcela Pimenta Pavan

Muitas pessoas querem uma vida melhor. Para isso temos uma gama de informações que nos diz sobre a comida mais saudável, os benefícios do pensamento positivo e das atividades para o corpo, etc. No aspecto das relações, são vários os alertas sobre como educar melhor o filho, não descuidar da relação com o marido, ser um amigo mais presente, etc. No trabalho, como tomar melhores decisões, ter um bom relacionamento em equipe, etc.

Viver diariamente essa quantidade de informações que nos diz o que devemos fazer para atuarmos bem, nos passa a mensagem de que precisamos nos empenhar ao máximo, pois só assim as coisas a nossa volta caminharão adequadamente. E mais, se relaxarmos ou confiarmos nos outros algo vai sair errado, então é melhor ficarmos alerta e assumirmos o controle.

Se entrarmos nesse ciclo, podemos ficar 24 horas alertas, nos esforçando e mesmo assim, provavelmente, algo não sairá do jeito que desejamos.

É aí que surge uma reflexão: Será que dessa forma estamos mesmo vivendo melhor? Até que ponto seguir essas informações e dar o máximo do nosso esforço pessoal nos ajuda? Até que ponto nos atrapalha? Não é à toa que tantas pessoas estão cansadas, frustradas, ansiosas, com baixa auto-estima.

Percebo no consultório uma fala frequente que é a do “tenho que”: tenho que ser boa profissional, boa estudante, boa namorada, boa mãe, boa avó, bom amigo, etc. Em contraste com: É isso mesmo que eu quero? Eu dou conta disso? Isso é justo comigo?

Controle            

A necessidade de alertas e esforço pessoal fala também de quão inseguros ficamos diante da vida. É preciso diminuir as ameaças e o controle das situações nos dá a sensação de segurança, de que a vida está nas nossas mãos.

É verdade que uma boa parte da vida nós controlamos sim, podemos nos esforçar para atingir nossas metas, alcançar nossos objetivos e amadurecer, mas também é fato que existe uma parte não controlável. Podemos cuidar da educação do nosso filho e ele não aprender. Podemos cuidar muito bem da nossa saúde e morrer de acidente de carro. Podemos investir no trabalho e sermos despedidos por cauda da crise. Podemos cuidar do casamento e o outro deixar de nos amar.

E o que acontece quando tentamos controlar as pessoas e as situações que fogem da nossa possibilidade? Nos frustramos e a frustração em excesso rouba a nossa energia, a nossa alegria e o nosso bem-estar. Perdemos o foco de nós mesmos, nos paralisamos frente as decisões que devemos tomar. A vida estagna.

O que fazer diante do que é incontrolável?

É preciso aceitar que há muitas situações que simplesmente não controlamos. Se perguntar: isso está no meu alcance? E se a resposta for não, parar e refletir, existem coisas que são maiores do que nós, podemos ir até um ponto e depois disso somente observar. Muitas vezes esse momento de impotência tem algo a nos dizer, é importante perceber o que essa situação nos provoca, permitir que os sentimentos venham, focar mais em nós mesmos, aprender com isso tudo, amadurecer.

Aceitar que não é possível controlar tudo, faz reavaliarmos a quantidade de energia que colocamos nas coisas, podemos nos esforçar mais ou menos dependendo do momento em que estamos, mas isso não deve roubar, por muito tempo, a nossa alegria e energia, fundamentais para vivermos de fato uma vida mais feliz.

*Marcela Pimenta Pavan, psicóloga clínica, CRP 05/41841. 
Atendimento: online no site acaminhodamudança e consultório no Largo do Machado/R.J
Contatos: marcelapimentapavan@gmail.com
 
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Divórcio? E agora?

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* Por: Viviane Lajter Segal

Desde pequenos somos influenciados pelos contos de fadas e nos acostumamos a ouvir a famosa frase “e foram felizes para sempre” no final de todas as histórias. Esse imaginário infantil da princesa que conhece o príncipe e que tudo dá certo no final permeia a fantasia até hoje de grande parte dos adultos. A decisão de se casar e de compartilhar uma vida com outra pessoa é repleta de expectativas e de projetos em relação ao futuro. Incluem ideais como o desejo de ter a felicidade plena, filhos, morar em uma casa bonita, vivenciar diariamente trocas mútuas de carinho e afeto. Mas, será que é sempre assim que acontece?

A vida de um casal nem sempre funciona tão perfeitamente quanto se imagina. O convívio a dois é difícil, uma vez que são duas pessoas diferentes, com histórias de vida distintas, manias e exigências adquiridas ao longo dos anos. Compartilhar tudo isso às vezes se torna uma missão bastante delicada e, em certos casos, conflituosa.

Tenho observado no consultório, em que atuo como psicóloga individual e de casal, um aumento significativo de pessoas sofrendo com sérios problemas no relacionamento que culminam quase sempre em separação ou em divórcio.

A rotina

Ao longo do tempo é natural que o casal entre em uma rotina e que aquela paixão e euforia iniciais se tornem mais silenciosas. Além disso, com o passar dos anos as pessoas tendem a se modificar, o que pode gerar um descompasso entre os cônjuges, uma vez que as transformações de cada um deles parecem não acontecer na mesma direção. Isso costuma assustar os casais e gerar um afastamento. Passam a se olhar de forma diferente e consequentemente a questionar os seus sentimentos e o relacionamento como um todo.

Quando um casal passa a se desentender com certa frequência, muito pode ser feito para tentar renovar e reestimular o casamento. Conversas francas, mudanças de hábitos e rotinas, como por exemplo voltar a fazer programas do começo do namoro, são boas estratégias. Procurar uma ajuda psicológica individual ou para o casal muitas vezes se torna necessário ao longo desse processo, pois ajuda na reflexão e na compreensão do que se deseja para o futuro. Perceber se ainda há um desejo de permanecer e reconstruir a relação, ou se a separação é necessária para que cada um possa reescrever suas histórias. A tomada de decisão se torna mais sólida e segura.

A tomada de decisão

Porém, há situações em que, mesmo após várias tentativas, o casal não consegue mais se entender e nem sequer conviver. As brigas e discussões são frequentes, há falta de interesse mútuo e o desgaste do relacionamento é nítido.

Tomar a decisão de se divorciar requer coragem para enfrentar os problemas de frente e assumir que aquela escolha feita anteriormente não deu certo. É admitir para si, e para o mundo, que sim, nesse sentido, os seus planos fracassaram.  É se conhecer bem o suficiente para perceber que o seu relacionamento não está mais satisfatório e se permitir escrever outra história a partir dali. Toda mudança requer coragem e força interior para acontecer.

O luto

Quando o casal decide se divorciar, não é somente a relação que acaba, mas também todos os projetos criados para o futuro se rompem. É preciso aprender a lidar com um turbilhão de sentimentos que surgem. Variam entre frustração, perda, tristeza, medo, vergonha e insegurança.

Inicia-se, então, um processo de luto. A morte dos ideais e expectativas construídos para a vida. Morte de um sonho, de uma história que terminou, morte dos planos fantasiados, dos projetos futuros. O divórcio, segundo estudos, é o segundo evento psicossocial que gera maior sofrimento psíquico. Perde somente para a morte de um ente querido, ou seja, é um momento muito difícil na vida de qualquer um, independentemente de ter sido amigável ou litigioso.

A sensação de medo e de insegurança são muito frequentes, pois o divorciado se vê em uma incerteza enorme perante a vida. Readaptação do cotidiano, voltar a estar sozinho e ser independente, ter autonomia, retomar um convívio social, lidar com as incertezas se conseguirá reconstruir uma nova relação, medo de se arrepender da decisão tomada.

Às vezes vemos situações em que o medo de um futuro incerto gera uma ansiedade tão forte no divorciado que este prefere se reconciliar com o ex-companheiro. Porém, tal comportamento costuma ser muito prejudicial para o casal, uma vez que esse retorno foi movido por uma insegurança e não pelo desejo de reestabelecer a relação. Consequentemente, após algum tempo os problemas conjugais retornarão gerando ainda mais desgaste e sofrimento para ambas as partes.

E agora? A reestruturação

Certa vez ouvi de um paciente que o divórcio “é uma montanha russa de sentimentos”. Por isso, é importante se respeitar e respeitar o seu tempo. É se permitir vivenciar o luto, parar e refletir sobre o que deu errado e como pretende seguir a vida para reconstruir a sua história. Evitar ter pressa para iniciar outro relacionamento.

A vida é construída baseada em acertos e erros! Quando acertamos nos sentimos plenos e seguros para seguir adiante. Quando erramos temos que nos levantar, aprender com aquilo que deu errado e seguir em frente. Na vida afetiva e nos relacionamentos não pode ser diferente!  Temos que tentar nos aprofundar cada vez mais em nós mesmos, para percebermos o que queremos e para onde queremos guiar a nossa trajetória. A ajuda de um psicólogo é muito importante no auxílio para que esse processo de superação e de mudança possa ocorrer de forma mais plena e segura.

Não tenha medo de julgamentos e nem sinta vergonha por tentar mudar! A vida é sua, então, que seja vivida da maneira que você julgar ser melhor para traçar a sua história.

Seja feliz!

* Por: Viviane Lajter Segal, psicóloga clínica, CRP 05/41087.

Atendimentos: online no site A Caminho da Mudança e nos consultórios na Barra da Tijuca e  em Copacabana, RJ.

Contato: viviane@lajter.net

Escrito por Viviane Lajter Segal. Todos os direitos reservados.

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Auto-observação: Você pratica?

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*por Marcela Pimenta Pavan

A auto-observação é a capacidade de nos percebermos e respeitarmos o nosso estado emocional, pode parecer simples, mas é um exercício que exige uma certa coragem e uma disponibilidade interior para aproximar-se de si mesmo.

É uma prática que traz muitos ganhos, pois a partir de uma boa observação podemos fazer escolhas mais acertadas para a nossa vida e para as relações que temos, ganhando em bem-estar e autonomia.

A auto-observação é como um exercício, quando colocamos energia e damos continuidade, ela se torna um hábito, e se apresenta como um recurso diário que nos auxilia perante as adversidades da vida.

Como é isso no dia a dia?

Quanto mais agitada a nossa vida, mais a tendência a prestarmos muita atenção para o que é externo. É preciso trabalhar, cuidar de si, cuidar dos filhos, e tantas outras coisas. E o interno? Muitas vezes deixamos para depois e quando, constantemente, passamos por cima de nós mesmos, sem nos percebermos, a irritação e a insatisfação se instalam. Tendemos a nos irritar com as coisas, situações e pessoas em demasia. Quando projetamos toda a nossa irritação externamente é hora de parar e retomar a situação, buscando encontrar o que é realmente nosso e o que é do outro.

Uma das formas de amenizar essa irritação é praticando diariamente a auto-observação. Só de reconhecermos como estamos emocionalmente já há um certo alívio, é o respeito a si mesmo, uma espécie de auto gentileza por aquilo que somos.

Como exercitar?

Uma das sugestões é que logo pela manhã você se pergunte: Como estou hoje? Escreva e coloque em algum lugar visível, não tenha receio da resposta, medite a respeito por alguns minutos. Depois encontre formas de ser generoso consigo mesmo. Por exemplo, se a resposta foi “hoje estou desanimado porque tenho uma reunião difícil no trabalho”, que tal se poupar um pouco? A ideia é não se colocar em situações que vão exigir de você mais do que pode doar. Ao contrário, se está animado, feliz, pode programar atitudes que vão exigir mais de você, pois terá energia para isso.

Ao longo do dia esteja atento as suas reações, ficou com raiva no trânsito? Procure algo que te traga mais tranquilidade antes de começar o trabalho. Está com medo? Ligue para alguém ou leia algo que tenha a capacidade de te motivar e encorajar.

Além da auto-observação, é importante respeitar o que estamos sentindo para escolhermos situações que nos auxiliem, e não ao contrário. Quando nos priorizamos e nos sintonizamos com aquilo que somos, trazemos uma parte importante de nós para o mundo, entendendo que faz parte da vida as variações de humor e emoções e que é possível lidar com elas de uma forma inteligente e saudável. Agradar aos outros é bom, mas fazemos isso legitimamente quando primeiro estamos bem conosco. A auto observação é uma grande demonstração de amizade e de reconciliação consigo mesmo.

Leia também: Auto-respeito: um cuidado necessário.

*Marcela Pimenta Pavan, psicóloga clínica, CRP 05/41841. 
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Quando as desqualificações envenenam a relação de amor.

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*por Marcela Pimenta Pavan

O início de uma relação amorosa é repleto de sonhos, projeções e expectativas. Com a convivência vamos percebendo que algumas das expectativas são correspondidas e outras não. Cada um traz consigo uma história de vida e a ideia do que é importante dar e receber numa relação.

Temos a tendência a olhar o outro, e a interpretar o que ele faz, através da nossa perspectiva, o que é um grande engano. É comum em um casal ouvir a frase: ” É obvio que tal coisa é importante, qualquer um vê”. Dando a entender que se o outro não está percebendo da mesma maneira é porque não está se importando, o que leva a outras interpretações, como: ele (a) não gosta de mim ou é imaturo (a) ou é acomodado (a), etc.

Antes de chegar a essas conclusões é fundamental considerar outra possibilidade, a de que o que é óbvio para uma pessoa pode não ser para outra. É preciso encontrar maneiras de explicar o que é importante para si e ouvir verdadeiramente o que o outro tem a dizer, aceitando que as duas histórias têm pesos iguais.

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Quando as diferentes perspectivas não são esclarecidas, ou seja, não há uma boa comunicação entre o casal, é comum as decepções se tornarem frequentes e começarem as desqualificações.

As desqualificações surgem, muitas vezes, expressando insegurança, mágoa e desprezo pelo outro e podem acontecer como deboches e ironias com uma excessiva carga negativa.

É comum ouvirmos, tanto dos homens quanto das mulheres, queixas sobre o parceiro (a), dizendo que o outro não se importa com alguma situação delicada ou que gostaria de uma maior participação na rotina da casa. Desagrados dessa ordem são naturais no relacionamento, mas, quando se tornam recorrentes podem se tornar um sério problema.

Inicia-se uma dinâmica negativa na relação, alimentada por uma parte que desqualifica a outra. O lado frequentemente criticado pode não suportar e se afastar momentaneamente ou definitivamente. Mas existem outras possibilidades, a pessoa pode aceitar esse lugar e se sentir fragilizada e impotente, ter a sua autoestima prejudicada e se tornar passiva e dependente. Esse comportamento tem efeito direto na relação, o que leva o casal a se manter unido não pelo amor, admiração e respeito, mas pela dependência que um tem do outro.

Intenções e valorização

Algumas vezes, quando um dos parceiros é muito crítico pode ter a intenção de ajudar, mesmo assim é importante avaliar se a crítica não está aumentando a insegurança ao invés de motivar o companheiro a mudar.

Junto com a boa crítica é importante reconhecer e valorizar o outro naquilo que ele tem de bom e faz bem. Um pode ser muito bom em administrar a casa, fazer as compras, a comida, providenciar a limpeza e arrumação das roupas… e o outro pode ser ótimo em negociar valores, conversar sobre assuntos mais delicados com os filhos…. Cada ser humano é bom numa determinada área.

Reconhecer o que o parceiro (a) faz de bom, diminui a insegurança, motiva um maior envolvimento e fortalece a autoestima e a união. Além disso, alimenta uma relação saudável baseada na admiração. Casais felizes se sentem bem com a presença do outro, valorizados. Exercite esse feedback positivo na sua relação, lembre o que te encantou na pessoa quando se conheceram. Isso fortalece a relação e dá uma base sólida para compartilhar a vida, seja ela como for.

Leia também: Conflito nas relações: território ameaçado.

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Relacionamento pais e filhos: você escuta os seus filhos?

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* Por: Viviane Lajter Segal

Crescer, ter filhos e formar uma família costuma fazer parte dos projetos de vida da maioria das pessoas. Junto à realização desses sonhos vem as responsabilidades, preocupações, falta de tempo para si e para o companheiro e, consequentemente o estresse diário. No meio dessa correria toda quando chegamos em casa após um dia de trabalho queremos encontrar com a família e relaxar um pouco. Certo? Nem sempre é tão simples assim! Principalmente quando se tem criança pequena, pois é quando elas querem contar as suas experiências e exigem total atenção dos pais. É nesse momento que muitas vezes precisamos desligar das preocupações pendentes do dia ou desistir daquele banho relaxante que gostaríamos de tomar para ouvir as histórias dos pequenos! Esse pode ser, para muitos, um processo difícil. Requer paciência, autocontrole e muito cuidado. E você? Como age quando o seu filho quer te contar algo? Será que você dá a atenção que gostaria?

A linguagem corporal é uma forma de comunicação muito importante e, por várias vezes, fala mais que muitas palavras. Um exemplo muito claro disso é quando o pai senta para conversar com o filho, mas o seu olhar não sai da frente do celular checando as mensagens instantâneas ou as novidades nas redes sociais. Qual a mensagem que esses pais estão passando, sem perceberem, ao agirem dessa forma? Provavelmente, que as suas opiniões não tem importância ou que não se interessam pela vida dos seus filhos.

Se permita parar e ouvir

O afeto vai muito além dos cuidados de higiene e alimentação, que também são importantes, claro! É algo bem maior que exige atenção, cuidado, disponibilidade e dedicação. É poder se disponibilizar a escutar o outro de verdade, desligar dos seus próprios problemas e ser empático com as questões alheias. Prestar atenção realmente no que é dito, conversar, trocar experiências e aconselhar seus filhos. Esses gestos, teoricamente pequenos e simples fazem muita diferença na formação da personalidade e na autoestima dos pequenos.

Acolher o seu filho naquilo que ele te conta, perceber a importância que isso tem em sua vida, acompanhar suas experiências de perto, permitem que se construa uma relação mais próxima entre vocês. O resultado desses atos gera segurança, interesse e sensação de pertencimento dos pequenos na família.

O diálogo entre pais e filhos possibilita que as crianças aprendam a se expressar, a reconhecerem seus sentimentos e a lidarem com as frustrações e dificuldades que venham surgir pela frente ao longo da vida.

Ela é só uma criança! Ainda não entende.

Um engano muito comum dos pais é acreditar que, por serem crianças, elas não compreendem o que está acontecendo e que, portanto, esse tipo de comportamento não vai prejudicá-las. Porém, ocorre exatamente o oposto! Quando pensamos na constituição psíquica de uma pessoa ainda em formação percebemos como esse processo é delicado e pode deixar marcas para toda a vida.

Os impactos disso na psique dos pequenos vão variar de acordo com diversos fatores e com o ambiente em que se desenvolverão. Alguns comportamentos poderão ser desencadeados ao longo do tempo, uma vez que essas então crianças tendem a começar a se calar evitando conversar com os pais. Aos poucos vão se fechando, acreditando ser menos interessantes ou inteligentes que os demais a sua volta. Como consequência podemos ver o desenvolvimento de uma timidez excessiva. Outro possível impacto psicológico é uma baixa na autoestima que faça com que essa criança cresça e se torne um adulto inseguro e receoso em tomar decisões. Exemplos disso poderão ser percebidos nos seus relacionamentos afetivos ou na construção da sua própria família.

Cuidado e atenção

O relacionamento entre pais e filhos é muito delicado e requer um cuidado diário, nas pequenas atitudes. As crianças são muito atentas ao o que ocorre a sua volta e, apesar de pequenas, tem sensibilidade para perceber quando seus pais estão prestando atenção nelas verdadeiramente.

Pare, reflita, respire e converse com os seus filhos! Você estará ajudando a formar uma pessoa mais segura de si e capaz de tomar boas decisões ao longo da vida, além de fortalecer o relacionamento de amizade, cumplicidade e afeto entre vocês.

* Viviane Lajter Segal, psicóloga clínica, CRP 05/41087.

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Conflito nas relações: território ameaçado.

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*por Marcela Pimenta Pavan

Onde há gente, há relacionamento e, constantemente, conflito. Os conflitos fazem parte da natureza das relações, sejam eles amorosos, profissionais ou familiares.

Temos a tendência de pensar o conflito como algo exclusivamente negativo, mas a psicologia sabe que, muitas vezes, o embate é necessário nas relações para que surjam novas possibilidades de ajustamento. É uma oportunidade para a pessoa parar, repensar e se dispor a encontrar formas mais criativas e satisfatórias de convivência, e assim as relações amadurecem.

Muitas pessoas, porém, ao se verem em um embate escolhem um caminho diferente, optam precocemente pelo afastamento ou rompimento das suas relações, como uma forma de resolver a questão angustiante e incômoda. Isso pode ser uma possibilidade, mas vejo que um dos motivos das pessoas desistirem antes da hora é simplesmente por não entenderem o outro, e principalmente, a si mesmos.

Essa dificuldade de compreensão está relacionado, entre outras coisas, a uma não percepção do espaço de importância que o outro ocupa nas suas relações, a esse espaço podemos dar o nome: território de atuação.

O território de atuação é um dos aspectos mais valiosos para nós e, muitas vezes, não nos damos conta. É o lugar que construímos psiquicamente e imaginamos sermos valorizados, amados e respeitados por isso.

Conseguir ler ou não o território demarcado exige uma boa observação e reflexão, pois não há nenhuma linha definida que nos mostre claramente isso, porém percebê-lo e respeitá-lo podem evitar embates desnecessários ou melhorar a qualidade deles.

Como assim ler o território?

Tanto os animais quanto os seres humanos necessitam demarcar seu território, além do geográfico, homens e mulheres constroem simbolicamente territórios de existência e atuação. Ali determinam o seu lugar de poder e conforto e qualquer ameaça ou invasão gera o conflito, muitas vezes estamos reagindo e protegendo o nosso território, ou ameaçando o território do outro, e não percebemos.

Por exemplo, quem nunca viu um funcionário novo ser boicotado por um colega de trabalho. É natural que o novo chegue com energia e novas ideias e isso pode representar uma ameaça para quem já está há mais tempo na função e já tem estabelecido seu território de atuação.

Na família, a nova namorada do pai pode representar uma ameaça para a filha. A atenção do pai para a mulher estranha pode estar invadindo o território já estabelecido entre pai e filha. A angústia de ser esquecida pelo pai cresce e os conflitos surgem através do ciúmes e dos comportamentos da filha para conseguir mais atenção.

O ser humano quando se sente ameaçado pode ter reações extremas, atacar, se descontrolar, se afastar, se fragilizar.

Como identificar os territórios de atuação?

O primeiro passo é observar e escutar. Quando observamos atentamente identificamos os territórios. As reações exageradas, tanto na fala quanto no comportamento, podem ser sinais de que alguém está reagindo a uma ameaça, mesmo que imaginária.

E o mais importante é nos incluirmos nesse processo, percebendo e identificando os nossos próprios territórios, quando nos sentimos ameaçados e estamos reagindo a isso.

Ter essa percepção é importante pois quando nos deparamos com uma reação violenta do outro ao invés de nos magoarmos ou internalizarmos a culpa, podemos considerar essa possibilidade, que o motivo da reação é a insegurança. Assim ampliamos a  visão em relação ao contexto e buscamos novos caminhos que fortaleçam os laços afetivos ou profissionais ao invés de ameaçá-los. Quando nos sentimos seguros, não precisamos reagir, podemos desarmar as defesas e permitir que as relações se desenvolvam e amadureçam.

Leia também:  Por trás dos relacionamentos saudáveis.

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